Os atos de ontem (30) levaram mais de meio milhão de pessoas às ruas para protestar contra o governo de Jair Bolsonaro. Convocadas inicialmente pela União Nacional dos Estudantes (UNE), as manifestações contaram com a adesão de várias entidades, como sindicatos e partidos políticos, e empurraram o governo ilegítimo ainda mais para o abismo.
Apesar de as manifestações terem sido grandes e muito superiores aos atos bolsonaristas do dia 26 de maio, a imprensa burguesa procurou, como lhe é de costume, mostrar outra versão. Segundo a versão do portal G1, da Folha de S. Paulo e dos demais grandes órgãos da imprensa burguesa, os atos não foram direcionados contra o governo, mas sim a favor da Educação. Trata-se, obviamente, de uma grande mentira.
O discurso de que os atos são apenas a favor da Educação foi reproduzido por vários setores da esquerda, principalmente pelas direções estudantis ligadas à esquerda pequeno-burguesa, nomeadamente o PCdoB e o Psol. No entanto, a maior parte dos manifestantes estava interessada em ir muito mais além do que simplesmente impedir que as universidades sofressem um corte de verbas: a vontade era de derrubar o governo.
Os atos do dia 15 e do dia 30 de maio não constituíram nenhum “novo movimento”. São todos eles a continuidade de um mesmo movimento: o movimento de luta contra o golpe. As mesmas entidades que vêm combatendo a direita desde o impeachment de Dilma Rousseff foram as entidades que estiveram à frente dos atos supostamente “pela Educação”. Além disso, experiências como a luta contra a prisão de Lula, a luta contra as “reformas” do governo Temer e a greve geral de 2017 são parte do aprendizado dos que participaram dos atos de ontem: é esperado, portanto, que os participantes estejam sendo movidos pelo interesse em combater a direita golpista que mantém Lula na cadeia e quer impor um verdadeiro massacre a toda a população.
Outra canalhice da imprensa burguesa em sua cobertura dos atos de ontem foi a de equipará-los aos atos bolsonaristas do dia 26 de maio. Os atos bolsonaristas, que, na verdade, foram um fiasco bancado pela burguesia, não conseguiram reunir sequer 10% da quantidade de pessoas que estiveram nos atos de ontem. Dizer que houve atos em defesa do governo Bolsonaro, assim como houve atos em defesa da Educação, é uma distorção completa.
Portais como o UOL, pertencente à Folha de S. Paulo, chegaram a afirmar que os atos de ontem comprovaram que a oposição ao governo Bolsonaro estaria perdendo força. A justificativa seria a de que os atos tiveram uma quantidade menor de pessoas presentes do que nos atos do dia 15 de maio. Essa justificativa, no entanto, não faz o menor sentido. O que deve ser levado em consideração é que, entre os dias 15 de maio e 14 de junho foram marcados três grandes atos nacionais contra o governo Bolsonaro – duas greves da Educação e uma greve geral. Isso é um indicativo de que o governo está perdendo cada vez mais o controle, pois a tendência à mobilização permanece intensa.





