Frente ampla

Ala direita do PT propõe aliança com o PSB para as eleições de 2020

Às vésperas da chegada do ano de 2020, a ala direita do PT, dominada pelos parlamentares e governadores, saiu em defesa de alianças com o PSB.

Nas eleições de 2018, o Partido dos Trabalhadores (PT) conheceu uma de suas maiores crises dos últimos anos quando seus dirigentes decidiram sacrificar a candidatura de Marília Arraes ao governo de Pernambuco. Naquele período, Arraes contava com largo apoio das bases petistas – sobretudo da ala lulista -, mas foi impedida de concorrer por causa de um acordo que tinha como fim garantir o apoio do Partido Socialista Brasileiro (PSB) em uma frente ampla. Embora a decisão tenha resultado em um enfrentamento elevado entre as bases petistas e sua direção, os mesmos eventos podem se repetir no ano de 2020.

No dia 27 de setembro, o jornal golpista Folha de S. Paulo publicou uma coluna assinada por Mariana Carneiro, que dizia que a “maioria do PT do Recife quer aliança com PSB em eleição na capital”. O texto, que é extremamente curto, não traz detalhes: apenas afirma que os petistas prefeririam a candidatura de João Campos (PSB) à Prefeitura do Recife à candidatura de Marília Arraes (PT).

Obviamente, esse tipo de informação não pode ser levada a sério, uma vez que não apresenta nenhum dado concreto, nem mesmo um método confiável. Trata-se, naturalmente, de mais uma publicação de bastidores feita pela imprensa burguesa, interessada diretamente nos rumos que o PT irá tomar nas próximas eleições. A esmagadora maioria da base do PT continua sendo formada por setores envolvidos no movimento popular, que se choca diariamente com o regime político golpista e que, portanto, não poderia estar interessado em servir de trampolim para um jovem político burguês como João Campos.

O que a coluna publicada pela Folha de S. Paulo revela, por outro lado, são os interesses dos patrões e da ala mais direitista do Partido dos Trabalhadores. Afinal, uma matéria como essa, que não expressa nenhum estudo sério e tende e se contradiz com as próprias tendências da luta política, não vem à toa. É, sem dúvidas, o início de uma campanha da direita que visa fortalecer a ala direita do PT para que esta pressione o partido em torno de seus objetivos.

Isso se torna ainda mais claro quando levamos em consideração os acenos que o senador Humberto Costa (PT-PE) deu ao PSB na inauguração de uma obra da Prefeitura do Recife na última semana. Na ocasião, Costa elogiou a gestão do golpista Geraldo Julio (PSB) à frente da Prefeitura e desejou que ambos seguissem juntos. Humberto Costa foi o principal articulador da operação que levou o PT a abrir mão da candidatura de Marília Arraes em Pernambuco nas eleições de 2018.

A aliança com o PSB é a expressão de uma política que vem sendo defendida há muito tempo pelos setores mais reacionários da esquerda nacional: a política da frente ampla – isto é, a política de submissão das organizações populares à burguesia. Essa política, no entanto, nunca deu certo e é uma receita para o desastre.

Em todos os momentos em que os trabalhadores ameaçam se levantar contra a direita, a burguesia propõe – seja diretamente, seja por meio dos ideólogos da esquerda pequeno-burguesa – uma frente ampla entre a esquerda e setores considerados mais democráticos do regime político. Tais setores, no entanto, não existem: a burguesia, na atual etapa de franca decadência do capitalismo, sempre terá interesses antagônicos aos dos trabalhadores – enquanto os trabalhadores lutam por condições dignas de vida, os capitalistas se esforçam para ampliar a exploração sobre todos os povos do planeta para garantir sua sobrevivência enquanto classe dominante de um modo de produção apodrecido.

Se os interesses da burguesia nada coincidem com os da classe trabalhadora, então a frente ampla não poderá servir a ambas as classes – ou favorece uma, ou favorece outra. Como a história se encarrega de mostrar, quem sempre se favorece é a burguesia: a política da frente ampla leva a esquerda a abandonar seu programa, o que leva a mais completa desmobilização. Com a população desmobilizada, a direita se sente livre para avançar em seus ataques contra os trabalhadores.

O que o momento exige – momento esse em que os trabalhadores se levantam em toda a América Latina e todos os povos do mundo estão sendo massacrados pelas aves de rapina do imperialismo – é um enfrentamento entre a população e a corja golpista que está promovendo a miséria em todo o planeta. Por isso, a política correta para o momento não passa por uma submissão aos parlamentares vigaristas do PSB, que apoiaram a entrega da base de Alcântara, defendem a truculência da Polícia Militar e apoiaram o golpe de 2016. É hora de organizar os trabalhadores e todos os explorados, verdadeiros interessados em derrubar o governo Bolsonaro!

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