Em ato realizado no Congresso Nacional, no dia 04 de setembro, foi lançado o movimento intitulado “Frente Parlamentar Mista em Defesa da Soberania Nacional, do Emprego e contra as Privatizações”, reunindo personalidades, políticos, dirigentes sindicais, parlamentares e representantes dos movimentos sociais, onde estiveram presentes também o presidente nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Wagner Freitas, os ex-candidatos à presidência nas eleições de 2018, Guilherme Boulos (Psol) e Fernando Haddad (PT), além da ex-presidente Dilma Rousseff, deposta pelo golpe de Estado de 2016.
A primeira consideração a ser feita é que a luta em defesa da soberania, em defesa da afirmação da soberania nacional é, em sua essência, uma luta anti-imperialista, contra a dominação do capital, contra a opressão nacional por parte dos opressores, em todas as suas variáveis. Não é cabível falar de luta em defesa dos interesses nacionais, contra as privatizações, contra a liquidação do patrimônio público sem se delimitar claramente dos opressores internos que apoiam o esmagamento da nação pelo imperialismo.
Em um momento em que a soberania do país está sob grave ameaça, com o governo pró-imperialista de Bolsonaro aplicando uma política abertamente antinacional; de entrega do patrimônio público e das riquezas nacionais, a luta para colocar de pé um movimento para enfrentar o bolsonarismo somente será legítimo e consequente se for guiado claramente erguendo a bandeira da luta contra o inimigo maior do país, que é o imperialismo e sua politica de rapina contra os interesses nacionais e o povo trabalhador.
“Esse chamamento é também para o industrial brasileiro, que quer a volta do crescimento da indústria. É para o agronegócio que anseia por reconhecimento e financiamento” (sítio da CUT, 04/09). A luta contra o imperialismo e em defesa da soberania nacional não pode comportar em sua fileiras elementos ligados ao grande capital industrial e o agronegócio. Esses setores não só foram os maiores responsáveis pelo golpe de Estado que aviltou o voto popular no país, como foram determinantes na eleição de Bolsonaro, o presidente fraudulento que vem promovendo o maior ataque justamente à soberania nacional, com uma política em favor dos bancos, do grande capital e do imperialismo, inimigo do país. Obviamente que setores da sociedade nacional ligados à pequena burguesia e até mesmo à burguesia, podem assumir, em determinadas circunstâncias, uma postura de defesa da soberania nacional, o que não é o caso, mas esta conduta deve assumir, para ser consequente, uma fisionomia claramente anti-imperialista, vale dizer, contra a dominação do capital; pela expulsão do imperialismo e de seus agentes apoiadores nacionais, os partidos da burguesia golpista, da extrema direita.
Chamou a atenção também o fato da ‘Frente Parlamentar Mista em Defesa da Soberania Nacional” ficar sob a presidência de uma parlamentar ligada a um partido (PROS) que entregou quatro votos a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff (presente à mesa do Ato). Trata-se da senadora Zenaide Maia (PROS-RN), pertencente a uma das oligarquias mais reacionárias do Nordeste brasileiro, o clã dos Maias, do Estado do Rio Grande do Norte. Portanto, a luta em defesa dos interesses nacionais, em defesa da soberania do país, passa por uma política de delimitação clara em relação aos partidos golpistas que apoiaram o golpe; que apoiaram a eleição de Jair Bolsonaro e que estão irmanados neste momento para atacar os trabalhadores, as massas populares e o conjunto da população explorada do país.





