O Irã permitirá a passagem de navios da China, Índia, Catar e Iraque pelo estreito de Ormuz, declarou Amir Hayat Moqaddam, vice-presidente da comissão de Segurança Nacional e Política Externa do Parlamento iraniano. O anúncio não estabelece livre trânsito para todas as embarcações. Teerã mantém restrições na rota em meio à guerra movida pelos Estados Unidos e por “Israel”.
Moqaddam apresentou as relações com os quatro países como parte da decisão. Segundo ele, a Índia fornecerá medicamentos ao Irã e a China oferecerá apoio político. Navios desses dois países pagarão taxas de trânsito; os do Catar passarão sem cobrança. O deputado não esclareceu se haverá taxa para embarcações iraquianas. As condições anunciadas mostram que a passagem também é objeto de negociação econômica e diplomática.
China e Índia têm grande interesse na rota. Dos 10,23 milhões de barris diários de petróleo do Golfo que passaram por Ormuz em outubro, cerca de 42% seguiram para a China e 13% para a Índia, conforme dados citados pela Al Jazeera. O Catar depende do estreito para suas exportações de gás e atua na mediação da guerra. Para o Irã, manter o trânsito desses países ajuda a conservar parceiros, receber produtos e obter receitas enquanto enfrenta o bloqueio norte-americano.
A autorização de Teerã tem um limite material. Os EUA afirmam que seu bloqueio vale para navios de qualquer bandeira que entrem ou saiam de portos iranianos. Uma embarcação pode receber permissão iraniana para cruzar Ormuz e, se seguir para um desses portos, ainda enfrentar a ação norte-americana. A passagem pelo estreito e o acesso à costa do Irã estão sob controles rivais.
Ao escolher quais navios podem cruzar a rota sob suas restrições, Teerã preserva relações que Washington gostaria de cortar. O anúncio não encerra a disputa por Ormuz. Mostra como o Irã usa o controle da passagem para obter medicamentos, apoio e comércio durante a guerra.





