Sudão

Relatório da ONU liga Emirados a mercenários colombianos no Sudão

Documento confidencial descreve o envio de combatentes às Forças de Apoio Rápido por uma rede que passa por países africanos

Um relatório confidencial apresentado ao Conselho de Segurança da ONU atribui aos Emirados Árabes Unidos a contratação de mercenários colombianos para combater ao lado das Forças de Apoio Rápido (FAR), no Sudão. O documento foi obtido pelo Middle East Eye, que publicou suas conclusões em 6 de novembro. Como o relatório não foi divulgado integralmente, seus detalhes são conhecidos por meio da reportagem. Os Emirados rejeitam as acusações.

A investigação citada pelo jornal identifica a Global Security Services Group, sediada nos Emirados, como parte da operação. Os colombianos teriam sido treinados e deslocados por uma rede que inclui instalações emiradenses, a base de Bosaso, na Somália, além de passagens pela Líbia e pelo Chade. Segundo os investigadores, prestaram apoio com drones, artilharia e infantaria às FAR e participaram de operações em Darfur, inclusive durante o cerco e a tomada de el-Fasher.

A descrição das rotas importa porque permite examinar a guerra para além do campo de batalha sudanês. Treinar combatentes num país, fazê-los atravessar outros e empregá-los numa terceira nação exige empresas, instalações e proteção política. O DCO já havia registrado as denúncias de apoio dos Emirados às FAR. O relatório vazado apresenta alegações mais específicas sobre como esse apoio teria funcionado.

Em carta incluída no material, o governo emiradense negou qualquer irregularidade relacionada ao conflito. A negativa deve constar da notícia, assim como deve ser cobrada a divulgação dos elementos da investigação que possam ser examinados publicamente. A gravidade das acusações exige apuração de quem contratou, pagou, treinou e transportou os combatentes.

Há ainda uma disputa diplomática ligada ao caso. Lana Nusseibeh, representante dos Emirados, concorre à secretaria-geral da ONU. O embaixador sudanês no Reino Unido contestou sua candidatura diante das acusações de apoio emiradense às FAR. Os governos que escolherão a próxima direção da organização receberam um relatório sobre a guerra no Sudão; não podem afastar seu conteúdo da discussão sobre a candidata de Abu Dhabi.

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