Depois de duas semanas de férias, estudantes franceses voltaram a bloquear escolas. O Ministério da Educação informou que 41 estabelecimentos secundários foram afetados. A mobilização juvenil prossegue ao lado dos protestos de trabalhadores contra os cortes sociais e a alta do custo de vida. Em 31 de outubro, estudantes, sindicatos e coletes amarelos participaram de uma nova jornada nacional de manifestações.

Organizações juvenis estimaram cerca de meio milhão de participantes em todo o país. O governo mobilizou aproximadamente 70 mil policiais e gendarmes. Em Paris, proibiu o trajeto central que os organizadores pretendiam percorrer; a marcha foi deslocada para os bulevares externos, enquanto dezenas de estações de metrô eram fechadas.
A restrição não esvaziou a manifestação. Houve confrontos ao fim do ato parisiense, e a polícia empregou gás lacrimogêneo, canhões de água e granadas de efeito moral. Manifestantes relataram repressão também em outras cidades. O aparato montado por Macron ocupou as ruas, mas os protestos entraram em novembro sem recuar.
Os estudantes exigem professores, condições de ensino e acesso à universidade. Trabalhadores enfrentam salários corroídos pela carestia e ameaças a serviços públicos. São problemas que não serão resolvidos pela escolha de uma rota mais distante do centro de Paris. A insistência do governo em tratar os atos como assunto policial mostra que não pretende atender às reivindicações.
As centrais sindicais convocaram uma greve para 5 de novembro. Sua preparação dá à mobilização a possibilidade de interromper o trabalho e reunir, numa mesma luta, quem bloqueia escolas e quem enfrenta os cortes nos locais de emprego.





