A Prefeitura de São Paulo repassou R$7,12 bilhões às empresas de ônibus em compensações tarifárias em 2025. Os passageiros, no entanto, encontram menos veículos para suas viagens. Entre junho de 2019 e junho de 2025, a cidade perdeu, em média, 43.013 viagens realizadas por dia útil, segundo dados da SPTrans obtidos pela equipe do vereador Nabil Bonduki. Considerados também os fins de semana, a redução foi de 23%.
A pior queda ocorreu no transporte noturno: 47%. Nos terminais Vila Prudente e Casa Verde, a diminuição das viagens diárias chegou a 47% e 45%, respectivamente. Quem depende desses trajetos não pode transferir o trabalho ou a volta para casa para um horário em que a empresa considere mais vantajoso pôr um ônibus na rua.
Ricardo Nunes atribui a redução à queda no número de passageiros, ao trabalho remoto e à expansão dos trilhos. A prefeitura afirma que ajustou a oferta à procura. Seus próprios dados, baseados em viagens programadas nos dias úteis, registram uma diminuição de 9,9% entre 2019 e 2025. Já o levantamento divulgado agora considera as viagens efetivamente feitas e inclui os fins de semana. As duas medições são diferentes, mas ambas apontam menos ônibus em números absolutos.
A queda de usuários também precisa ser explicada. Longas esperas e linhas insuficientes empurram passageiros para aplicativos, carros e motocicletas. Parte da população simplesmente deixa de fazer trajetos que ficaram caros ou difíceis. Tomar esse afastamento como autorização para cortar mais viagens é condenar o transporte coletivo a perder ainda mais passageiros.
As concessionárias recebem bilhões em recursos públicos para operar um serviço que encolhe. O PCO defende o cancelamento dos contratos com essas empresas, a estatização do sistema e a gratuidade das passagens. João Pimenta apresentou esse programa na campanha municipal: o transporte deve atender ao direito de locomoção, não à necessidade de lucro de um grupo de empresários. Os ônibus retirados da circulação têm de voltar às ruas, começando pelas linhas e horários em que a população passou a esperar mais.



