A avó de Fatima al-Bayouk já tinha medo de deixá-la ir à escola. Ouvira relatos de balas israelenses chegando às proximidades de uma unidade da ONU e pagava por outra escola, onde acreditava que a menina estaria mais protegida. Fatima foi baleada quando saiu de casa para brincar com os primos, depois de terminar a lição. Morreu uma semana mais tarde, com uma bala alojada no pulmão.
Safia Abo Amra havia acolhido a neta após um bombardeio contra a casa da família em Khan Younis, em dezembro de 2023. Os parentes mais próximos de Fatima morreram naquele ataque. Em Deir al-Balah, avó e neta passaram a dividir as tarefas da casa, os passeios e até o colchão. “Fatima era minha melhor amiga”, disse Safia ao Middle East Eye. A família havia comprado roupas de inverno para a menina. Ela morreu antes de usá-las.
Os disparos ameaçam a vida de quem permaneceu perto da chamada Linha Amarela. Moradores de acampamentos contam que o fogo vem de posições militares, tanques e aparelhos aéreos. Shereen al-Kafarna foi ferida dentro de sua tenda. Seu filho Zaid relatou que tiros atingem também as áreas onde as pessoas aguardam água e comida. Quando os caminhões de ajuda partem para escapar dos disparos, os palestinos voltam às barracas sem mantimentos.
A família de Shadi Siam cavou um buraco ao lado da tenda. Ali se esconde com os filhos durante horas, até que os tiros parem. Outros moradores abandonaram o acampamento; os que ficaram dizem não ter dinheiro para o transporte nem outro lugar onde possam se instalar.
Os ataques prosseguem apesar do cessar-fogo anunciado em outubro de 2025. O DCO já havia noticiado disparos contra tendas de famílias deslocadas durante a vigência do acordo. Para Fatima, o sionismo primeiro destruiu a casa e matou a família. Depois a alcançou na rua onde brincava.





