As principais centrais sindicais da França convocaram uma greve geral para a próxima quinta-feira (5), contra o orçamento do governo de Emmanuel Macron. A Confederação Geral do Trabalho (CGT), a Confederação Francesa Democrática do Trabalho (CFDT), a Força Operária (FO), a União Nacional dos Sindicatos Autônomos (UNSA) e a Federação Sindical Unitária (FSU) convocaram trabalhadores dos setores público e privado, aposentados e estudantes para manifestações em todo o país. As organizações exigem aumentos salariais, reajustes das aposentadorias, investimentos nos serviços públicos e medidas para preservar os empregos e a indústria francesa.
A convocação ganhou importância após as manifestações de 31 de outubro, quando milhares de franceses voltaram às ruas contra a política econômica de Macron. Os sindicatos pretendem ampliar os protestos com uma paralisação nacional.
Na sexta-feira (30), a CGT publicou um mapa interativo com os locais dos atos previstos para 5 de novembro. A ferramenta permite consultar os pontos de concentração em diferentes cidades. Em comunicado, a central afirmou:
“Diante do custo de vida elevado, dos salários estagnados, da insegurança no emprego e da deterioração dos serviços públicos, é urgente fazer ouvir as reivindicações do mundo do trabalho. Aumento dos salários e das aposentadorias, recursos para os serviços públicos, financiamento da Previdência Social… Em 5 de novembro, vamos nos mobilizar para conquistar avanços sociais!”
Na região do Grande Leste, a CFDT confirmou manifestações em 16 localidades. Em Estrasburgo, os trabalhadores se concentrarão na Praça da República, às 14 horas. Em Metz, o ato ocorrerá diante da estação ferroviária, no mesmo horário. Também haverá manifestações em Nancy, Reims, Mulhouse, Troyes, Verdun e outras cidades.
A convocação foi divulgada inicialmente em 5 de outubro, após a greve do funcionalismo público realizada em 29 de setembro. A frente sindical pretende reunir diferentes categorias profissionais em torno de reivindicações comuns.
O principal alvo dos sindicatos é o projeto de orçamento do governo francês, que prevê o congelamento de benefícios sociais, a redução da proteção previdenciária e cortes nos recursos destinados aos serviços públicos.
“Os trabalhadores e as trabalhadoras vivem uma perda de posição social sem precedentes. Combustíveis, alimentos, aluguéis, gás, eletricidade… tudo aumenta, menos os salários e as aposentadorias”, afirmaram as organizações no comunicado conjunto.
Os sindicatos denunciaram que o governo pretende agravar a situação econômica da população, atingindo especialmente os trabalhadores mais pobres e os doentes. O documento criticou o congelamento dos benefícios sociais e dos salários dos funcionários públicos, além da redução dos recursos para o atendimento à população.
Entre as reivindicações estão a abertura imediata de negociações salariais nas empresas, o aumento do salário mínimo francês (Smic), o reajuste do ponto de índice utilizado para calcular a remuneração dos servidores e a valorização das aposentadorias. As centrais também exigem aumentos dos auxílios de moradia, das bolsas estudantis e dos benefícios destinados às famílias.
Outra preocupação é a crise da indústria francesa. Segundo as organizações, o país enfrenta uma multiplicação dos planos de demissão na indústria, no comércio e nos serviços. Diante dessa situação, reivindicaram um planejamento industrial para recuperar a produção nacional, preservar empregos e ampliar os investimentos em infraestrutura.
Um dos principais pontos do comunicado é a denúncia dos recursos destinados às empresas. As organizações reivindicaram a avaliação, a imposição de condições e a redistribuição de 211 bilhões de euros em ajudas públicas, além da cobrança de impostos sobre grandes patrimônios, heranças e dividendos.
A cifra expõe a política econômica do governo francês. Enquanto Macron pretende economizar recursos com o congelamento de benefícios sociais e a redução dos gastos públicos, o Estado mantém uma enorme transferência de dinheiro para os capitalistas.
Os sindicatos defendem que esses recursos sejam submetidos a controle e utilizados para atender às necessidades da população. A declaração conjunta terminou com uma advertência ao governo e aos empresários:
“As organizações sindicais alertam solenemente o governo e o patronato. A cólera é imensa. A situação do país é frágil. É preciso responder sem demora às urgências sociais e ambientais.”
A convocação de 5 de novembro ocorre após sucessivas manifestações contra Macron. Os atos de 31 de outubro foram realizados apesar das ameaças de repressão policial e das restrições anunciadas pelas autoridades francesas.
Agora, os sindicatos procuram ampliar a mobilização por meio da greve, atingindo diretamente os interesses dos empresários. O chamado conjunto de cinco organizações sindicais, abrangendo trabalhadores do setor privado e do funcionalismo, oferece a possibilidade de uma paralisação de grandes proporções.
A situação francesa também demonstra a falsidade da política de subordinar os trabalhadores aos governos burgueses apresentados como defensores da democracia. Macron foi promovido como uma alternativa democrática à extrema direita, mas seu governo procura impor cortes sociais, preservar os interesses dos grandes capitalistas e reprimir as manifestações populares.





