Uma viatura da Polícia Militar atingiu a motocicleta de Pedro Henrique Ely na noite de domingo (25), no bairro Ingleses do Rio Vermelho, em Florianópolis. No dia seguinte, moradores e familiares se manifestaram para cobrar justiça. Policiais dispararam balas de borracha durante o ato, ferindo participantes, entre eles um integrante do Comitê de Apoio ao jornal A Nova Democracia, atingido no rosto.

A reportagem de A Nova Democracia descreve imagens em que a viatura atravessa o canteiro central da SC-403 antes de atingir Pedro. Uma testemunha afirmou que policiais agrediram o motociclista depois da colisão e usaram spray de pimenta contra ele. A sequência registrada e os depoimentos exigem investigação sobre a atuação dos agentes antes e depois do atropelamento.
Pedro foi levado ao Hospital Governador Celso Ramos e passou por cirurgia. Durante a internação, seus familiares relataram dificuldades para obter notícias e visitá-lo enquanto permanecia sob custódia policial. Na noite de segunda-feira (26), a Justiça concedeu liberdade provisória ao motociclista, autorizou as visitas e determinou a apuração da conduta dos policiais.

O protesto reunia pessoas que exigiam explicações por um trabalhador hospitalizado. A resposta policial trouxe novos feridos. Motociclistas ouvidos durante o ato denunciaram a maneira como são tratados nas ruas, onde trabalham e circulam sob suspeita permanente. A repressão à manifestação não pode desaparecer da apuração como se fosse um fato menor diante do atropelamento.
É preciso identificar os agentes envolvidos, examinar as imagens e punir os atos que forem comprovados. O PCO defende também a dissolução da Polícia Militar. Uma corporação que age militarmente contra a população não pode ser apresentada como garantia de segurança para o motociclista atingido nem para os trabalhadores que foram à rua exigir justiça por ele.



