Um preso no Presídio Estadual de Porto Alegre continuaria a dirigir o comércio de drogas no distrito de Magistério, em Balneário Pinhal. Foi o que informou a Polícia Civil do Rio Grande do Sul ao anunciar uma operação realizada nesta quarta-feira (28). Três pessoas foram presas em Balneário Pinhal; contra o homem já encarcerado, a Justiça expediu uma nova ordem de prisão preventiva.
A investigação durou quatro meses. Policiais examinaram dados de aparelhos apreendidos em prisões anteriores e cumpriram sete mandados de busca em Balneário Pinhal e Alvorada. Em endereços ligados a dois investigados, encontraram porções de drogas. A corporação ainda procura outra pessoa identificada durante as apurações. Também pediu que o preso apontado como dirigente do grupo seja transferido para uma unidade de segurança máxima e submetido ao Regime Disciplinar Diferenciado.
O fato de a própria polícia atribuir a direção do negócio a alguém que já estava na cadeia merece mais atenção do que o anúncio de mais uma operação. A prisão não havia interrompido o abastecimento nem as vendas descritas pelos investigadores. Agora, a resposta anunciada é tornar o encarceramento desse homem ainda mais rigoroso.
Os acusados devem responder pelos atos que forem comprovados. Isso não transforma as prisões numa solução para o tráfico. A proibição mantém a venda de drogas fora da lei, permite que grupos armados cobrem preços elevados em substancias sem controle de qualidade e oferece ao Estado a justificativa para sucessivas operações. Quando uma direção cai, a atividade continua a oferecer dinheiro a quem ocupar seu lugar.
Por isso o PCO defende a legalização de todas as drogas. A proposta enfrenta a fonte de renda criada pela clandestinidade, em vez de prometer que a próxima prisão acabará com o comércio. Magistério oferece um retrato nítido do impasse: a polícia investiga, prende e pede um presídio mais duro, enquanto reconhece que um preso já comandava o negócio de dentro do sistema prisional.





