Mohammed Seder começou a resolver problemas de xadrez aos cinco anos, em Hebrom. Hoje, aos 17, já venceu duas vezes o campeonato nacional palestino e representou a Palestina em torneios pelo mundo. Seu pai, Naji, antigo campeão do país, ajudou a treiná-lo. A irmã Randa, de 12 anos, conquistou o campeonato feminino palestino de 2026.
O jovem quer tornar-se mestre internacional. Para isso, precisa enfrentar jogadores de alto nível com frequência, mas disputou apenas um torneio neste ano, segundo contou ao Middle East Eye. Faltam recursos para viagens. Dentro da Cisjordânia, os postos militares de “Israel” também dificultam deslocamentos para encontrar treinadores e adversários.
Seder calcula que um percurso de cerca de 60 quilômetros entre cidades palestinas pode levar quatro ou cinco horas; às vezes, mais de 12. Ele relatou ainda que soldados entraram à noite na casa de sua família e prenderam seu pai, libertado horas depois. Hebrom sofreu outra operação militar recente, com ruas bloqueadas e moradores expulsos de suas casas.
Mohammed espera conseguir uma bolsa para estudar fora e pretende voltar. Ao competir, leva consigo a bandeira palestina; ao tentar sair de Hebrom, precisa primeiro atravessar os controles da ocupação. Para um enxadrista de sua idade, perder a oportunidade de jogar torneios decisivos significa perder anos de desenvolvimento que não serão devolvidos mais tarde.





