A Polícia Militar abordou um jovem que andava de bicicleta no bairro Santa Inês, em Belo Horizonte. Quando a mãe dele tentou acompanhar a ação, um agente passou a golpeá-la no braço com cotoveladas. Testemunhas filmaram a agressão. A mulher saiu ferida — e foi presa pelos mesmos policiais que a agrediram.
A ocorrência foi registrada em 24/10, diante de uma padaria. Segundo os militares, a abordagem começou porque reconheceram o rapaz e afirmaram que ele tinha passagens pela polícia. É assim que a PM se concede licença para parar um trabalhador na rua: alega conhecer seu passado e o submete a uma revista. A população pobre vive sob a ameaça permanente dessas buscas. O terrorismo de Estado começa antes do primeiro golpe.
Ao ver o filho cercado, a idosa quis ficar perto dele. Os policiais mandaram que se afastasse. Ela se segurou a um poste, e um dos agentes atingiu repetidamente seu braço. Não havia ali ameaça alguma que justificasse bater naquela mulher. O policial usou a força porque ela não obedeceu à ordem de abandonar o filho durante a abordagem.
Quem presenciou a cena protestou. Uma funcionária da padaria discutiu com os militares e recebeu voz de prisão. O gerente também foi detido quando os policiais tentaram entrar no estabelecimento atrás dela. A PM chamou reforços e levou os três: a mãe, a funcionária e o gerente. A operação passou da intimidação de um rapaz na rua à agressão de sua mãe e à prisão de trabalhadores que contestaram os agentes.
A idosa precisou ser atendida na Unidade de Pronto Atendimento de Sabará. No boletim, os policiais atribuíram seus ferimentos a um movimento que ela teria feito com a mão algemada. O vídeo mostra as cotoveladas. Os agressores ainda puderam escrever a versão oficial sobre as lesões da mulher que haviam prendido.
Nada do que os militares pudessem encontrar com o jovem autorizaria espancar sua mãe ou prender quem protestou. Tampouco se deve aceitar como normal que policiais parem pessoas na rua e as obriguem a se submeter a suas ordens sob a ameaça de força. A PM dispõe de armas, viaturas e poder de prisão para impor esse regime à população. O PCO defende o fim da Polícia Militar e a organização da segurança pelos próprios trabalhadores.




