O Diário Causa Operária defende o voto nulo no segundo turno da eleição presidencial deste domingo (25). Não apoiamos Flávio Bolsonaro nem a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. As duas candidaturas representam setores do grande capital, e a classe operária precisa de uma política própria diante de ambos.
Nosso compromisso é com os interesses dos trabalhadores, sua organização e sua luta contra a exploração capitalista. Não temos obrigação de escolher, entre os representantes da burguesia, aquele que deverá governar contra o povo.
O segundo turno confirmou as razões dessa decisão. Lula não respondeu ao avanço da direita com uma mudança de política. Reforçou a frente ampla, ampliou a participação dos aliados burgueses e entregou parte importante da propaganda a André Janones. A defesa da redução da maioridade penal mostrou que as concessões à direita continuariam até os últimos dias da campanha.
Os benefícios e as promessas apresentados às vésperas da votação não alteram esse balanço. Durante o mandato, o governo preservou os interesses dos banqueiros e subordinou as necessidades populares aos acordos com a burguesia. Agora, procura conquistar votos sem romper com os compromissos responsáveis por seu próprio desgaste.
Em 2022, apoiamos Lula porque sua candidatura expressava um movimento popular contra o golpe de Estado, a perseguição política e o governo Bolsonaro. No segundo turno, a aproximação com as massas abriu espaço para uma campanha mais combativa. Nosso apoio acompanhava esse movimento, ao mesmo tempo que combatíamos a aliança com Alckmin e os demais políticos da direita.
Quatro anos depois, a situação é outra. Lula disputa a continuidade de um governo da frente ampla. Os setores burgueses que pretendiam controlar sua candidatura consolidaram sua participação no poder. Apoiar a reeleição significa dar sustentação política a essa aliança e estimular os trabalhadores a confiar nela por mais um mandato.
A alegação de que esse apoio é necessário para combater o fascismo não resiste ao exame da própria campanha. A direção petista não convocou uma luta contra os capitalistas, suas instituições ou seu aparelho repressivo. Pediu a união com a direita tradicional, apresentada como defensora da democracia. Por esse critério, até Alckmin deveria receber o voto da esquerda se estivesse disputando a Presidência contra Flávio Bolsonaro.
Não damos qualquer apoio ao bolsonarismo. Combatemos seu programa, seus vínculos com os capitalistas e seus ataques aos trabalhadores. Justamente por isso, rejeitamos uma política que pretende enfrentá-lo por meio de acordos com outros representantes da classe dominante. A frente ampla governou durante quatro anos e entregou uma direita fortalecida à eleição de 2026.
Nosso voto nulo é uma declaração de independência política. Não significa indiferença diante dos ataques que o próximo governo venha a promover. Este Diário continuará defendendo os salários, os empregos, a terra, os direitos sociais e as liberdades democráticas, sem subordinar essa luta à conveniência de qualquer governo.
A imprensa burguesa escolhe candidatos para defender os interesses dos proprietários que a sustentam. Este jornal toma posição pelos trabalhadores. Seja Lula ou Flávio Bolsonaro o vencedor, nossa tarefa será organizar a luta contra as exigências do grande capital, com um programa e uma direção próprios da classe operária.





