Angélica anunciou voto em Lula na quarta-feira (21/10). Declarou que não é petista e não se identifica com a direita nem com a esquerda. Marta Dora Grostein, mãe de Luciano Huck, também declarou seu voto no presidente. Huck elogiou a mãe publicamente pela postura. O conteúdo desse apoio é mais revelador do que o anúncio.
Angélica invocou o respeito entre as pessoas e a alternância de poder. Como uma estrela da Rede Globo, é claro que ela não mencionou nenhuma luta que tenha a ver com o movimento popular. Poderia repetir seu discurso no palanque de quase todos os partidos burgueses.
Outros artistas ligados à Globo aparecem ao lado do presidente. Na propaganda eleitoral, Geraldo Alckmin e o general Santos Cruz, ex-ministro de Jair Bolsonaro, pedem o voto dos eleitores de direita. A burguesia põe seus políticos e as personalidades que promove na televisão a serviço de uma candidatura segura para os patrões. Em troca, desaparece até o que restava de um programa de esquerda.
Há burgueses entre esses apoiadores e há artistas que trabalham sob o comando das grandes empresas de comunicação. É claro que nenhum exige um governo popular. A campanha troca o apelo aos trabalhadores por um certificado de confiança emitido por gente da direita.
Alckmin, o picolé de chuchu, foi posto na Vice-Presidência. A latifundiária Simone Tebet, que votou pelo golpe contra Dilma Rousseff, entrou no governo. Eles não adotaram uma política minimamente progressista ou democrática; o PT é que passou a governar como eles, embora sem todas as suas “qualidades”. Agora, a cada novo apoio de uma celebridade da Globo, os petistas festejam a mesma capitulação como se fosse uma conquista.
O trabalhador que cobra uma resposta para o preço dos alimentos, o aluguel e o salário curto ouve apenas que Flávio Bolsonaro será pior. O medo da classe média liberal virou a palavra de ordem de uma eleição presidencial. Aceite Lula como o “mal menor”, dizem os cabos eleitorais da esquerda, e deixe suas reivindicações para outra ocasião. Depois do domingo (25), é a bandidagem golpista que continua sentada à mesa do governo.
Sem uma proposta que confronte minimamente os capitalistas, sobram as acusações de corrupção, a disputa sobre quem abrirá seus sigilos e a devassa moral da vida do adversário. O perfil oficial do PT divulgou notícias sobre supostas festas com prostitutas e orgias envolvendo Flávio. Também se explorou o boato falso de que ele retiraria de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. A religião e a vida íntima de um candidato são usadas para assustar o eleitor e arrancar seu voto.
A concessão à direita não se limita à propaganda. Em sabatina na Globo, Lula defendeu reduzir a maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos. É uma política de endurecimento repressivo que atingirá sobretudo os jovens pobres.
Esta é a campanha mais rebaixada que o PT e as direções da esquerda já fizeram. Trocaram a organização dos trabalhadores por vídeos de famosos da Globo, apelos de generais aos conservadores, promessa de repressão, escândalos sexuais, reforço de preconceitos e garantias dadas à burguesia.





