Parece que estamos vivendo sob a batuta de senhores de engenho modernos e, nesse universo, destacamos os coaches. Eles parecem chutar os trabalhadores para o ostracismo, a invisibilidade e a miséria.
O atual momento nacional é dramático. Caso tenhamos um governo autoritário, teremos também um ministério chamado Ministério da Prosperidade. E há uma forte possibilidade de um desses senhores de engenho modernos ser o ministro.
Direitos civis e direitos sociais estão na iminência de serem perdidos, assim como a nossa Constituição Cidadã. Quem defenderá o povo brasileiro? Aquele estudante do ensino médio, aquela dona de casa, aquele que recebe o Bolsa Família? Quem irá defender essa classe social que se acotovela na senzala, no último degrau de uma pirâmide social injusta e sectária?
Muitas pessoas já morreram de tanto trabalhar. Muitas levaram tiros dentro de um ônibus ou de um metrô porque deram o seu sangue à nação, numa transição do escravismo para o trabalhismo que, na verdade, mantém muitas das contradições do sistema anterior.
E essas condições ainda poderão piorar, caso tenhamos um governo autoritário e blasfemo — blasfemo no sentido de trair a pátria com suas mudanças à la Milei.
A cooptação em relação ao voto e a manipulação de mentes marcadas pela ingenuidade cognitiva tornam a massa de eleitores propensa a apostar em armadilhas que a levam a cair em teias.
Essa engrenagem de dominação também pode ser compreendida à luz da teoria da colonialidade do poder, desenvolvida por Aníbal Quijano. Segundo o sociólogo peruano, as estruturas de dominação constituídas durante o colonialismo persistiram na América Latina após o fim do domínio colonial formal, articulando-se às relações de poder, ao capitalismo e à produção do conhecimento (QUIJANO, 2005).
Os dados educacionais brasileiros também merecem atenção. Segundo o PISA 2022, coordenado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), aproximadamente metade dos estudantes brasileiros de 15 anos não alcançou o nível básico de proficiência em leitura. Além disso, o Indicador de Alfabetismo Funcional, divulgado em 2025, apontou que 29% dos brasileiros entre 15 e 64 anos eram analfabetos funcionais.
Esses indicadores não significam que o povo brasileiro seja intelectualmente inferior. Revelam, antes, dificuldades educacionais que precisam ser enfrentadas e que tornam indispensável discutir as condições de acesso ao conhecimento, à informação e à formação crítica. É necessário investigar, ainda, como a desinformação e os discursos de prosperidade individual podem influenciar a interpretação da realidade e as escolhas políticas.
Nesse cenário, os coaches que prometem enriquecimento e sucesso individual merecem ser questionados quando suas narrativas ocultam as contradições sociais e transferem exclusivamente para o indivíduo a responsabilidade por seu destino. Não podemos ignorar as condições materiais de existência de milhões de trabalhadores que, apesar de seu esforço cotidiano, continuam privados de uma vida digna.
A resistência a essa engrenagem exige consciência crítica, organização coletiva e participação política. A defesa dos direitos sociais, da educação pública e das condições dignas de trabalho depende também da capacidade de a classe trabalhadora reconhecer seus interesses e organizar-se para defendê-los.
É nesse contexto que a resistência de partidos políticos comprometidos com a organização dos trabalhadores, como o Partido da Causa Operária (PCO), faz diferença no debate político nacional. A existência de organizações que colocam em discussão a exploração do trabalho, as desigualdades sociais e as relações de dependência internacional contribui para manter essas questões no centro da disputa política.
Afinal, a prosperidade de uma nação não pode ser medida pela fortuna acumulada por uma minoria, nem pelas promessas de sucesso vendidas nas redes sociais. Deve ser medida, sobretudo, pelas condições de vida de seu povo, pelo acesso aos direitos fundamentais e pela possibilidade de cada trabalhador viver com dignidade.





