Indígenas do Vale do Javari denunciaram que a Justiça Eleitoral negou o transporte necessário para levar eleitores de 43 aldeias aos locais de votação. Em uma região onde as viagens dependem de barcos e podem levar muitas horas, a decisão transforma a distância em obstáculo concreto ao voto.
A recusa pesa principalmente sobre comunidades que não dispõem de recursos próprios para custear combustível e embarcações. Garantir uma seção eleitoral em algum ponto do mapa não basta quando o eleitor não consegue alcançá-la. A participação dos povos indígenas fica, assim, condicionada à capacidade de pagar uma viagem que deveria ser assegurada para o exercício do direito político.
A denúncia publicada pela Agência de Notícias das Favelas expõe uma contradição: o Estado exige a participação da população indígena no processo eleitoral, mas não organiza os meios para que moradores de aldeias remotas compareçam às urnas. As comunidades reivindicam uma solução que atenda às distâncias e às condições reais de deslocamento no Vale do Javari.
Sem transporte, o direito formal de votar corre o risco de se tornar letra morta para dezenas de aldeias. Cabe à Justiça Eleitoral assegurar condições efetivas de acesso às urnas, e não transferir esse custo aos próprios eleitores.


