Lula exigiu nesta segunda-feira (12) que Kassio Nunes Marques mostre qual ilegalidade justificaria a suspensão do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, criado pelo deputado André Janones (Rede-MG). O presidente também disse que o chefe do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) “não pode ter lado”. Enquanto isso, dirigentes petistas discutem apresentar um pedido de suspeição contra Kassio, acusando-o de favorecer Flávio Bolsonaro.
Kassio mandou suspender o canal no domingo (11), atendendo a um pedido da campanha de Flávio. Horas depois, o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, revogou a ordem. Bloquear um canal inteiro de comunicação política é uma medida antidemocrática. Lula tem razão ao cobrar uma justificativa concreta para ela. A questão é que, durante anos, seu partido aplaudiu medidas semelhantes quando atingiam seus adversários.
O inquérito das “fake news” foi aberto em 2019. Desde então, Alexandre de Moraes ordenou o bloqueio de contas, a remoção de publicações e outras medidas contra manifestações políticas. Boa parte da esquerda urrou. Como os principais alvos eram bolsonaristas, qualquer objeção ao poder assumido pelo ministro recebia a resposta pronta: defender a liberdade de expressão seria defender “fascistas”. O PT forneceu apoio político a esse avanço ditatorial do Judiciário.
Em 2022, nem sequer era possível recorrer a essa desculpa. Moraes tirou do ar as contas do Partido da Causa Operária nas principais redes sociais. O bloqueio durou meses e atravessou a campanha eleitoral. O PCO havia criticado o Supremo Tribunal Federal e defendido sua dissolução — posições políticas que não dependem da licença de um ministro para ser publicadas. A esquerda se calou.
A eleição atual mostra que o PT continua disposto a usar os tribunais para controlar a propaganda. Kassio e André Mendonça, ambos indicados ao Supremo por Jair Bolsonaro, ordenaram a retirada de publicações de Lula e de seus aliados. No mesmo período, a federação liderada pelo PT pediu ao TSE a remoção de publicações de Flávio e conseguiu que três fossem retiradas. O partido reclama da interferência judicial em sua campanha enquanto solicita a mesma interferência na campanha rival.
O debate petista sobre a suspeição de Kassio também não é uma campanha contra a censura. Uma ala acredita que pode reunir votos para afastar o ministro dos julgamentos; outra teme que o pedido piore a relação dele com Lula. Discutem quem decidirá os processos e como suas decisões afetarão a disputa. Kassio nega beneficiar Flávio. Nada disso altera o poder que o TSE acumulou para mandar retirar a propaganda de qualquer candidato.
É um escárnio ver Lula e o PT falarem agora como se tivessem passado os últimos seis anos combatendo esse poder. Chamaram de fascista quem se opôs à censura dos bolsonaristas, apoiaram Alexandre de Moraes até diante do bloqueio das redes de organizações de esquerda e só protestam com essa energia quando a ordem alcança os seus. Fazem papel de verdadeiros palhaços políticos: exigem liberdade de expressão para Janones e pedem aos mesmos juízes que calem Flávio Bolsonaro.





