Desde o início da Operação Militar Especial, o imperialismo tentou isolar a Rússia por todos os meios. Impôs centenas de sanções, retirou bancos russos de partes do sistema financeiro internacional e promoveu um bloqueio político, diplomático, cultural e informativo. Foi uma tentativa de “cancelar” o país, como denunciou o presidente russo, Vladimir Putin.
A campanha fracassou porque o capitalismo internacional continua dependendo de matérias-primas russas. Mesmo com planos de banir as importações de gás russo liquefeito a partir de 2027, a União Europeia recebeu um volume recorde desse combustível nos primeiros nove meses de 2026.
Entre janeiro e setembro, os portos da União Europeia receberam 12,18 milhões de toneladas de gás natural liquefeito do projeto russo de Iamal, alta de 9,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. O bloco pagou cerca de €7,88 bilhões pelo produto e recebeu 85% das cargas registradas do projeto, de acordo com análise da organização Urgewald baseada em dados da Kpler.
Os governos europeus aceitaram a pressão dos Estados Unidos para reduzir o uso do gás russo e comprar gás norte-americano, mais caro. Mas não conseguiram cortar o fornecimento russo sem pôr em risco o abastecimento de energia. As sanções não interromperam o comércio: atingiram a população com preços mais altos, enquanto a Europa continuou comprando o combustível de que precisa.
A dependência também se impôs aos Estados Unidos. Em meio à alta dos combustíveis provocada pela guerra contra o Irã, Donald Trump anunciou, após conversar por telefone com Putin, um acordo para ampliar o fornecimento de diesel russo aos mercados norte-americano e mundial.
O plano anunciado prevê mais de 300 mil toneladas de imediato, outras 500 mil em novembro e mais 1 milhão logo depois. Trump também mencionou a possibilidade de outros 3 milhões de toneladas, condicionada à situação das refinarias russas.
No mesmo dia, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos publicou uma licença que autoriza até 7 de abril de 2027 transações relacionadas à venda, entrega, descarga e importação de diesel de origem russa. Na prática, o imperialismo suspendeu temporariamente sanções que impediam essas operações.
A necessidade de recorrer à Rússia surge enquanto a guerra contra o Irã pressiona os preços nos Estados Unidos. O diesel chegou ao recorde de US$6,53 por galão em setembro. O acordo é mais um recuo dos Estados Unidos diante dos limites da própria política: depois de tentar barrar o combustível russo, o governo norte-americano agora busca seu fornecimento para enfrentar a crise.
Os Estados Unidos também ampliaram licenças para atividades envolvendo petróleo venezuelano. As concessões deixam claro que o imperialismo não consegue impor um bloqueio total quando seus próprios interesses econômicos entram em choque com a política de sanções.
A Rússia continua vendendo gás à Europa e agora poderá fornecer diesel aos mercados dos Estados Unidos e do mundo. A tentativa de isolar o país não impediu seu comércio; levou os governos que promoviam o bloqueio a recuar quando precisaram de seus recursos. É um retrato da crise do imperialismo: incapaz de impor sua vontade a todo o mundo, ele acumula conflitos e crises que acabam atingindo também seus próprios países.




