O dirigente do movimento Ansar Alá, Abdulmalique al-Houthi, afirmou na quinta-feira (8) que a Arábia Saudita não conseguirá obrigar o povo iemenita a se submeter, apesar dos anos de guerra e bloqueio impostos ao país.
A declaração ocorreu durante discurso em homenagem às vítimas do massacre do Grande Salão, realizado em Saná, em outubro de 2016. Na ocasião, um bombardeio da coalizão comandada pela Arábia Saudita atingiu uma cerimônia fúnebre na capital iemenita.
Segundo al-Houthi, o ataque deixou aproximadamente mil mortos e feridos. O dirigente apontou o episódio como uma das demonstrações da violência empregada pela monarquia saudita durante sua intervenção militar no Iêmen.
A guerra começou em 2015, quando uma coalizão liderada pela Arábia Saudita lançou uma ofensiva para tentar derrotar o Ansar Alá, que havia assumido o controle de Saná e de importantes regiões do território iemenita.
A operação recebeu apoio militar e político dos Estados Unidos. Ao longo dos anos, bombardeios atingiram bairros residenciais, escolas, hospitais e instalações de infraestrutura. O bloqueio imposto ao país agravou a escassez de alimentos e medicamentos.
Apesar da superioridade militar e econômica de seus adversários, o Ansar Alá manteve suas posições e desenvolveu armamentos capazes de atingir alvos fora do território nacional.
No pronunciamento de quinta-feira, al-Houthi afirmou que as perdas sauditas continuam aumentando enquanto a monarquia insiste na agressão.
“Quanto mais sangue a Arábia Saudita derrama, mais decidido o povo iemenita se torna a enfrentar o agressor”, declarou.
O dirigente responsabilizou a Arábia Saudita, os Estados Unidos e “Israel” pelos crimes cometidos durante a guerra. Também criticou a utilização da religião pela monarquia saudita para justificar sua posição política no mundo islâmico.
Segundo al-Houthi, o fato de a família real saudita apresentar-se como guardiã das duas principais mesquitas do Islã não lhe concede legitimidade para realizar massacres contra outros povos muçulmanos.
O dirigente também fez uma advertência ao Catar. Afirmou que a Arábia Saudita deseja promover uma mudança de regime no país e que a família governante do Barém compartilha esse objetivo.
Al-Houthi recordou que o Catar participou anteriormente da coalizão militar contra o Iêmen, mas acabou submetido a um bloqueio diplomático e econômico imposto pela própria Arábia Saudita e seus aliados.
Segundo o líder iemenita, a participação atual do Catar no apoio à política saudita contra o Iêmen representa cumplicidade com a agressão.
O discurso também abordou a situação militar no Mar Vermelho e no Mar da Arábia. Al-Houthi declarou que as forças iemenitas são capazes de atingir alvos nessas regiões a partir de diferentes posições do território nacional.
O dirigente afirmou ainda que as instalações petrolíferas e as bases militares sauditas permanecem vulneráveis às operações iemenitas.
A capacidade militar desenvolvida pelo Ansar Alá representa um obstáculo à política de dominação da Arábia Saudita sobre o Iêmen. Mesmo com o apoio das principais potências imperialistas, a monarquia não conseguiu destruir o movimento.
Al-Houthi convocou manifestações para sexta-feira (9), em Saná e nas demais províncias controladas pelo Ansar Alá.
A mobilização foi apresentada como uma demonstração da disposição popular de continuar enfrentando a agressão estrangeira. O dirigente reiterou que a Arábia Saudita não alcançará seu objetivo de submeter o povo iemenita por meio da guerra e do bloqueio.





