O político sionista Moshe Feiglin, dirigente do partido Zehut e antigo deputado do Likud, passou a utilizar abertamente a expulsão dos palestinos da Faixa de Gaza como propaganda para as eleições parlamentares de “Israel”, marcadas para 27 de outubro.
Anúncios publicados em ônibus apresentam três palavras que resumem a proposta: “Ocupação. Expulsão. Assentamento.”
A propaganda provocou críticas, mas Feiglin confirmou que não pretende modificar sua campanha. Em publicação numa rede social, declarou:
“Não vamos apagar uma única vírgula. Olhem muito bem para esses cartazes, porque eles não vão a lugar nenhum.”
O dirigente afirmou que pretende estabelecer assentamentos israelenses em todo o território que reivindica para o Estado sionista.
Feiglin não é um personagem desconhecido da política israelense. Foi deputado entre 2013 e 2015 pelo Likud, partido de Benjamin Netaniahu, e posteriormente fundou o Zehut. Em setembro, assinou um acordo eleitoral com Bezalel Smotrich para disputar as eleições numa aliança comum.
As declarações do dirigente deixam claro que sua proposta não consiste apenas em ampliar a ocupação militar de Gaza. Ele defende retirar toda a população palestina do território.
Em entrevista ao jornal Jerusalem Post, Feiglin afirmou:
“Ocupação, transferência de todos, todos os árabes. Não me importo. Eles não podem permanecer lá depois do que fizeram.”
O político também declarou que considera inimiga toda a população de Gaza, incluindo crianças e recém-nascidos. Para justificar essa posição, afirmou que até os bebês palestinos representariam uma ameaça futura contra os israelenses.
Não se trata de uma declaração ocasional. Feiglin defende há anos a anexação dos territórios palestinos, a instalação de assentamentos e a expulsão de seus habitantes.
Em 2024, o dirigente chegou a invocar uma declaração de Adolf Hitler ao defender a retirada dos palestinos de Gaza. Também propôs a destruição completa do território antes de sua ocupação, mencionando os bombardeios de Dresden e Hiroxima como exemplos.
Sua campanha eleitoral apresenta de maneira explícita uma política de limpeza étnica. A expulsão de uma população inteira, independentemente da participação de seus integrantes em qualquer conflito armado, é apresentada como proposta para conquistar votos.
A propaganda também desmente a tentativa de caracterizar a guerra contra Gaza como uma operação exclusivamente dirigida contra o Hamas. Feiglin não está propondo medidas contra uma organização determinada, mas a retirada de todos os palestinos de suas terras.
A aliança com Smotrich aproxima o dirigente de um dos principais setores da extrema direita israelense, defensor da expansão dos assentamentos nos territórios ocupados.
Com seus anúncios em ônibus, Feiglin procura transformar a expulsão dos palestinos numa palavra de ordem eleitoral. A violência contra o povo de Gaza, longe de ser escondida por esse setor do sionismo, tornou-se o principal argumento de sua campanha.





