Duas universidades públicas brasileiras registraram ocorrências nesta semana. No Rio de Janeiro, a polícia investiga uma ameaça de ataque com explosivos contra estudantes da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf). Em Pernambuco, a Polícia Federal apura as causas de um incêndio que destruiu laboratórios da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
Na Uenf, localizada em Campos dos Goytacazes, mensagens atribuídas a integrantes de um grupo de WhatsApp denominado Campistas com Bolsonaro motivaram uma denúncia às autoridades. Segundo informações publicadas pelo portal Agenda do Poder, o conteúdo incluía ameaças contra estudantes.
A ocorrência foi comunicada à polícia para que sejam identificados os responsáveis e esclarecida a existência de qualquer preparação para um ataque. Não havia confirmação de que explosivos estivessem disponíveis ou de que algum atentado tivesse sido efetivamente organizado.
A universidade também foi informada sobre o caso. A apuração deverá determinar a autoria das mensagens e a existência de eventuais crimes.
Em Pernambuco, um incêndio ocorrido na noite de quarta-feira (7) destruiu grande parte do antigo prédio da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo da UFPE, localizado na Cidade Universitária, no Recife.
O edifício abrigava laboratórios utilizados em pesquisas de fármacos, informática e genética, além do Núcleo de Pesquisa em Inovação Terapêutica.
Segundo o reitor Alfredo Gomes, o prejuízo em equipamentos chegou a uma estimativa de R$ 100 milhões. Também foram perdidas amostras acumuladas durante duas décadas de atividades científicas.
O reitor descreveu a dimensão dos danos:
“Tínhamos muitos equipamentos dentro do prédio, sobretudo no primeiro andar, e absolutamente tudo foi destruído pelo incêndio. Cremos que nós tínhamos ali aproximadamente 100 tipos diferentes de pesquisas. Assim como amostras que se acumulam ao longo de 20 anos. Então é uma perda irreparável para a Universidade Federal de Pernambuco e para as pesquisas ali desenvolvidas, por mestrandos, doutorandos, na iniciação científica e também pelos nossos professores e professoras.”
O Corpo de Bombeiros enviou cinco viaturas ao local. As equipes conseguiram impedir que o fogo atingisse os prédios vizinhos. Não houve feridos, e o combate às chamas foi concluído na manhã de quinta-feira (8).
A universidade informou que determinados produtos armazenados nos laboratórios contribuíram para a rápida propagação do incêndio. A causa inicial, entretanto, permanece desconhecida.
A Polícia Federal anunciou a realização de perícia e a abertura de investigação para esclarecer as circunstâncias do fogo. Até o momento das informações divulgadas, não havia elementos para atribuir o incêndio a uma ação criminosa.
Foi a terceira ocorrência desse tipo registrada na UFPE em uma semana. Em 30 de setembro, um incêndio atingiu um laboratório do Departamento de Física. Em 4 de outubro, outro episódio ocorreu no laboratório de Citogenética e Evolução Vegetal, no Centro de Biociências. Nenhum dos dois deixou feridos.
A repetição dos incêndios exige uma investigação das condições de segurança das instalações universitárias. A destruição de equipamentos e de pesquisas mostra também a necessidade de recursos para manutenção, prevenção de acidentes e modernização dos laboratórios.
O sucateamento das universidades públicas brasileiras é um problema acumulado durante anos de restrições orçamentárias. A insuficiência de verbas compromete a capacidade das instituições de conservar suas instalações e proteger o patrimônio científico.
Isso não significa que os cortes de recursos tenham provocado o incêndio da UFPE, cuja causa ainda está sob investigação. Significa que a proteção dos laboratórios e a recuperação dos prejuízos dependem de investimentos públicos.
A universidade informou que procurou os ministérios da Educação e da Ciência, Tecnologia e Inovação para discutir medidas de recuperação das instalações.
Os prejuízos ultrapassam o valor dos equipamentos destruídos. Pesquisas desenvolvidas durante muitos anos, com a participação de estudantes, técnicos e professores, foram perdidas e, em alguns casos, não poderão ser recuperadas.



