O candidato ao Senado pelo Partido da Causa Operária (PCO) em Pernambuco, Mailson da Silva Neto, afirmou que a campanha eleitoral deve servir para apresentar novas ideias à população e enfrentar os interesses da burguesia. Em seu discurso no ato Rui Presidente, realizado nesta quarta-feira (30), no Sinttel, no Recife, ele também criticou a falta de espaço para os pequenos partidos na propaganda eleitoral e a concentração de recursos nas mãos do sistema financeiro.
Engenheiro eletricista e ex-diretor do Sindicato dos Engenheiros de Pernambuco, Mailson contou que não fazia parte originalmente do PCO. Sua aproximação com o Partido começou a partir de 2016, durante a crise política que culminou no golpe contra Dilma Rousseff.
Na época, ainda filiado ao PT, passou a acompanhar mais de perto a atuação dos militantes do PCO em Pernambuco. O candidato lembrou especialmente o período da eleição de Jair Bolsonaro e as atividades políticas realizadas em conjunto com militantes do Partido.
“Comecei a acompanhar muito o trabalho dos companheiros da Causa Operária aqui em Pernambuco, apesar de ser do PT. Tive a oportunidade de trabalhar muito com o companheiro Victor Assis, com Marina. A gente fez vários trabalhos de disputa política naquele momento difícil que a gente passou com a eleição de Bolsonaro, uma tensão muito grande que nós vivemos, e nós fizemos aquele enfrentamento de forma muito aguerrida.”
Mailson afirmou que a disposição dos militantes para intervir politicamente foi um dos fatores que chamaram sua atenção. Como exemplo, recordou os atos realizados no bairro do Ibura durante a pandemia.
Segundo o candidato, foram realizadas cerca de 10 atividades na região para exigir que o poder público fornecesse máscaras gratuitamente à população. Para ele, a campanha mostrou a diferença entre limitar-se a declarações gerais e apresentar uma resposta prática para um problema imediato dos trabalhadores.
“A população já estava sofrendo um revés com a pandemia: não tinha recurso, não tinha como trabalhar, não tinha recurso para se alimentar. A gente fez esses atos e foi muito badalado aqui na cidade. Depois o prefeito começou a fazer licitação de máscara para doar à população, porque, acho que na época, a máscara custava R$3, e a pessoa não tinha nem dinheiro para comprar comida. Como é que ia comprar a máscara?”
O candidato afirmou que essa experiência teve peso em sua aproximação com o PCO. “Na vida, a gente pode falar muito filosoficamente e não valer de nada, ficar só no vazio, e às vezes você precisa ter respostas concretas para a realidade do povo”, disse.
Campanha sem espaço na televisão e no rádio
Ao tratar de sua candidatura, Mailson criticou as condições enfrentadas pelo PCO durante a eleição. Ele afirmou que a liberação tardia de recursos para os partidos prejudica a campanha e destacou que candidatos do Partido praticamente não aparecem nos meios tradicionais de comunicação.
“É difícil porque toda vez, historicamente, eles dão o recurso para o partido quando a campanha já tem quase um mês. Isso realmente causa um prejuízo. Além disso, nós temos a dificuldade de não ter acesso à divulgação. Isso não é democracia. Os partidos precisariam divulgar os seus candidatos. Não tem divulgação nem na TV, nem no rádio.”
Mailson contou que mesmo pessoas próximas só descobriram sua candidatura ao encontrá-lo distribuindo os boletins produzidos pelo Partido. Para ele, diante dessas limitações, o principal papel da campanha é colocar em circulação propostas e discussões que normalmente ficam fora da eleição.
“O que vale muito a pena nesse período da campanha é a gente lançar novas ideias e mexer um pouco com a estrutura dominante que está colocada no poder. Mas a gente faz o que está determinado a fazer e busca com isso travar uma batalha.”
O candidato afirmou que a campanha ganha importância justamente pela possibilidade de discutir uma nova orientação para o País. “É uma batalha em que você vai lançando as sementes das novas ideias, da nova forma de pensar o Brasil, porque é urgente pensar o Brasil diferente”, declarou.
‘A população está sequestrada pelos bancos’
Na parte final do discurso, Mailson concentrou suas críticas no sistema financeiro. Ele afirmou que o Brasil possui riqueza suficiente para garantir condições de vida muito superiores à maioria da população, mas grande parte dos recursos é transferida aos bancos.
“Você vê a população sequestrada pelos bancos. Os bancos praticamente levam mais da metade da receita brasileira. Um país que é rico: nós somos um país rico, não somos um país pobre. Se nós fôssemos um país pobre, até seria aceitável a situação. Nós somos um país rico.”
O candidato também criticou uma organização econômica em que, segundo ele, o sistema financeiro absorve uma parcela enorme da riqueza sem participar diretamente da produção.
“Então você tem esse dinheiro que é sangrado para o sistema financeiro, que não produz, que só vive de especulação. Depois, para tentar amenizar a questão social, você tem o Bolsa Família.”
Mailson questionou ainda uma situação em que milhões de brasileiros dependem de programas de transferência de renda sem que sejam oferecidas condições para superar permanentemente a pobreza.
“Por que a pessoa tem que viver 30, 40 anos com a sua existência limitada ao Bolsa Família? Que sociedade nós estamos querendo construir quando a gente quer limitar uma parte da sociedade a um teto? Por que tem que ser limitado? Essas são as questões que a gente procura debater, e com elas provocar aqueles que oprimem o povo.”
Ao concluir, o candidato dirigiu-se a Rui Costa Pimenta e afirmou que o sentido da candidatura não pode ser medido apenas pelo resultado eleitoral. Para Mailson, mesmo uma votação pequena pode servir para colocar em discussão ideias que entrem em choque com os interesses dominantes.
“Companheiro Rui, a gente pode ter 1% ou 2% da votação, né? Mas a gente vai incomodar essa burguesia existente. É isso que nos conforta e nos dá ânimo para continuar a luta.”



