Ato Rui Presidente

‘Vi um partido de coragem levantar a bandeira do Hamas’

Candidata a deputada federal pelo PCO relatou experiência como professora e explicou por que se aproximou do Partido após conhecer sua atuação em defesa da resistência palestina

A candidata a deputada federal pelo Partido da Causa Operária (PCO) em Pernambuco, Maria Hosana, destacou a defesa da resistência palestina e a necessidade de uma transformação política profunda do País durante o ato Rui Presidente realizado nesta quarta-feira (30), no Sinttel, no Recife. Professora da rede estadual desde 2006, ela também relacionou sua experiência na educação pública com sua aproximação do Partido.

Hosana abriu sua fala ressaltando a realização do ato em Pernambuco, estado que definiu como uma “terra de resistência”, e apresentou Rui Costa Pimenta como um candidato que se diferencia dos demais pela política defendida pelo PCO.

“É uma honra recebermos vocês aqui nessa noite única para o PCO, com o lançamento dessa candidatura, que veio culminar justamente nessa terra de resistência nossa, Pernambuco. Estamos aqui com o companheiro que honra esse nome da resistência, que é o Rui Costa Pimenta. Ele é um candidato diferenciado, que tem um partido diferenciado.”

A candidata também mencionou a perseguição sofrida pelo PCO e afirmou que muitas das posições do Partido causam estranhamento porque rompem com posições mais comuns dentro da própria esquerda.

“É um partido perseguido pela maioria, pelo STF e pelas pessoas que não compreendem suas posições marcantes, que para muitos são contraditórias, estranhas. Mas não são, porque o pior cego é aquele que não quer ver que quem está do lado da resistência está do lado verdadeiro.”

Da sala de aula à política

Ao falar de sua trajetória, Hosana contou que é mãe de quatro filhos e professora da rede estadual de Pernambuco desde 2006. Segundo a candidata, a escolha pela profissão surgiu ainda na infância, a partir da vontade de transformar as condições que via no subúrbio onde cresceu e onde continua morando.

A experiência em sala de aula, porém, levou-a à conclusão de que os problemas enfrentados pelos estudantes não poderiam ser resolvidos apenas pelo esforço individual dos professores. Hosana explicou que conseguia produzir mudanças na vida de alguns alunos, mas encontrava limites que estavam além da escola.

“Eu sou Maria Hosana. Sou mãe de quatro filhos e sou professora da rede estadual desde 2006. Mas muito antes disso eu queria ser professora, desde criança, porque eu sonhava em mudar a realidade em que eu cresci. Eu nasci e vi ali as suas contradições, os seus problemas, no subúrbio onde eu moro até hoje.”

Para a candidata, foi a partir dessa experiência que a questão deixou de aparecer apenas como um problema educacional. Ela relacionou a situação da juventude pobre de Olinda e do Recife aos problemas políticos mais gerais enfrentados pela população.

Hosana afirmou que, ao entrar em contato com o PCO, passou a compreender de outra maneira as dificuldades que encontrava como professora. “Eu realmente vi que não dependia só de mim, porque eu estava lutando contra um Estado”, declarou.

“O problema não era o aluno, o problema não era o pai ou a mãe que não teve educação nem teve acesso. O problema é a falta de uma revolução, de uma revolução operária, de uma revolução propriamente dita, que precisa de uma política revolucionária, assim como é a política do Partido da Causa Operária.”

Palestina aproximou candidata do PCO

Um dos principais pontos do discurso foi a defesa da resistência palestina. Hosana contou que sua aproximação com o Partido começou quando ainda atuava na solidariedade ao povo palestino e passou a acompanhar a posição do PCO em defesa do Hamas.

Ela recordou a atuação internacional do Partido e mencionou o encontro de integrantes do PCO com Ismail Hanié, dirigente do Hamas assassinado em 2024. Para Hosana, a defesa aberta da resistência palestina foi o que inicialmente diferenciou o Partido das demais organizações que acompanhava.

“O Rui, o Partido da Causa Operária, gente, foi o único que foi, atravessou para o Catar e foi conversar com a resistência, com Ismail Hanié, o mártir da revolução, um dos mártires da revolução islâmica do Hamas. E teve essa coragem de enfrentar e dizer: ‘eu sou 100%, 1.000% Hamas e a favor da resistência palestina’.”

Hosana contrapôs essa posição à solidariedade à Palestina que se limita, em sua avaliação, a declarações gerais. Foi nesse ponto que explicou por que decidiu se aproximar politicamente do PCO.

“O Partido da Causa Operária não é aquele partido que está apenas levando a bandeirinha para dizer ‘Palestina livre’, porque isso é fácil. ‘Eu estou do lado do povo’: isso também é fácil dizer. Difícil é você estar realmente do lado do povo e não se vender aos poderosos. E foi isso que no Rui Costa Pimenta me chamou a atenção.”

A candidata relatou que até então se considerava “uma simples ativista da causa palestina”, mas que a posição do Partido sobre o Hamas despertou seu interesse pela organização.

“Eu era uma simples ativista da causa palestina, com as simples bandeiras na mão, e eu vi um partido de coragem levantar a bandeira do Hamas. Eu disse: esse partido é diferente. E aí, quando eu conheci o partido de perto, eu comecei a realmente entender política, porque a forma como o Rui coloca a política, do intelectual ao operário e ao estudante, qualquer um é capaz de compreender.”

Ao concluir, Hosana voltou à experiência como professora e afirmou que sua militância política surgiu da compreensão de que os problemas encontrados na educação fazem parte de questões sociais e políticas mais amplas. Para ela, a mudança que buscava produzir individualmente na escola depende de uma transformação da própria sociedade.

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