Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e candidato à Presidência da República, participou nessa terça-feira (29) do Canal do Galo Preto, apresentado pelo jornalista Leandro Fortes. Durante a entrevista, Pimenta criticou a política eleitoral do PT, falou sobre religião, liberdade de expressão, jogos, drogas e a situação da esquerda brasileira.
Um dos principais temas foi a utilização eleitoral da polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida. Pimenta considerou negativa a tentativa do PT de explorar o episódio contra Flávio Bolsonaro e afirmou que a iniciativa entra em contradição com a campanha feita nos últimos anos contra as chamadas fake news.
“Eu acho que é muito negativo isso do ponto de vista político, porque primeiro é negativo para o PT, porque o PT apoiou o tempo todo a cruzada do Alexandre de Moraes, que botou um monte de gente na cadeia, censurou, fechou canais inteiros, o nosso inclusive, a pretexto de fake news, e agora eles estão aí descaradamente utilizando o mesmo recurso. […] É meio que um sinal de crise, na minha opinião, não só da eleição, mas do próprio PT.”
Pimenta também criticou as medidas tomadas pelo governo nos últimos dias da campanha, incluindo a ofensiva contra as casas de apostas. Para o dirigente, a medida tem caráter eleitoral e não resolve o problema dos jogos.
Ao ser questionado sobre o tema, defendeu a legalização dos cassinos e das apostas, comparando a proibição dos jogos às políticas de repressão às drogas.
“Eu sou contra esse tipo de política, primeiro porque eu acho que o Estado não é uma igreja. Não tem que ficar determinando a moralidade do pessoal. A função do Estado é outra. […] A minha filosofia é a seguinte: quanto mais liberdade, melhor. Quanto menos proibição houver, melhor.”
Mais adiante, questionado diretamente por Fortes, Pimenta reafirmou que o PCO defende a legalização de todas as drogas. “Todas as drogas, todas”, respondeu.
Religião e trabalhadores
Pimenta também comentou o crescimento da religião na política. Explicou que o PCO tem o marxismo e o materialismo como base teórica, mas não exige que seus militantes sejam ateus. Para ele, a esquerda não deve transformar a religião em motivo de divisão entre os trabalhadores.
“Qual seria a política revolucionária marxista em relação a isso? Não entrar em conflito, colocar o interesse de classe acima das divergências de tipo ideológico. Você não vai arrumar dentro de um sindicato, por exemplo, confusão porque tem trabalhador evangélico, católico ou qualquer outra coisa.”
O dirigente criticou particularmente os ataques generalizados aos evangélicos, afirmando que eventuais crimes cometidos por pastores devem ser denunciados sem atacar a religião dos trabalhadores.
PT perdeu terreno entre os trabalhadores
Outro ponto importante da entrevista foi a avaliação de Pimenta sobre o enfraquecimento político do PT. Para ele, o Partido dos Trabalhadores passou a concentrar sua atividade quase exclusivamente nas eleições e perdeu presença entre os trabalhadores.
“O PT é um partido que vive para ganhar eleição. É um partido de funcionários públicos. Está perdendo a sua base operária para o bolsonarismo. E o pessoal tem que abrir o olho.”
Pimenta lembrou que, durante o governo Bolsonaro, o PCO esteve entre os setores que defenderam desde cedo a palavra de ordem de “Fora Bolsonaro” e organizaram atos durante a pandemia. Para o dirigente, a crítica ao PT não significa apoio à direita, mas uma disputa política dentro da própria esquerda.
Na parte final do programa, Pimenta foi questionado sobre a posição do PCO em um eventual segundo turno. Ele explicou que o Partido ainda não tomou uma decisão e fará uma conferência depois do primeiro turno.
“Nós vamos analisar, vamos pesar os argumentos, vamos ver a situação política, vamos ver sobretudo o resultado eleitoral e vamos tomar uma posição a mais equilibrada possível.”
Pimenta acrescentou que o apoio dado a Lula na eleição anterior não se baseou simplesmente na escolha do “menos pior”, mas numa avaliação política relacionada à superação da situação criada pelo golpe de 2016. Para ele, a situação atual é diferente e deverá ser analisada após o resultado eleitoral.




