Eleições 2026

Paulo Lago defende programa nacional do PCO em entrevista em Bauru

Candidato a deputado federal falou sobre crise do regime político, indústria, STF, jornada de 35 horas, segurança pública e socialismo

O candidato do Partido da Causa Operária (PCO) a deputado federal por São Paulo, Paulo Lago, apresentou uma série de posições do Partido durante entrevista concedida em Bauru. Em vez de limitar suas respostas aos problemas municipais, Lago defendeu que a eleição seja utilizada para discutir questões nacionais, como a desindustrialização, o funcionamento do regime político, o poder do Supremo Tribunal Federal (STF), a jornada de trabalho e a segurança pública. Paulo Lago integra a chapa paulista do PCO para a Câmara dos Deputados. Causa Operária

Logo na primeira pergunta, sobre as razões para sua candidatura, Lago recuperou sua trajetória política. Militante desde os anos 1980, ele participou da corrente que posteriormente fundaria o PCO, depois do rompimento com o PT. Em entrevista anterior ao próprio DCO, Lago afirmou ter iniciado sua militância no PT em 1982, ingressado na Corrente Causa Operária em 1986 e participado da fundação e legalização do PCO em 1995. Causa Operária

“Eu sou militante do PCO. Nós somos uma corrente antiga dentro do PT, somos fundadores do PT. Quando o PT começou a se desviar do seu caminho original, que era ser um partido de representação dos trabalhadores, e começou a fazer alianças com a burguesia, com a direita, nós criticamos isso. Fomos expulsos do PT e depois construímos o PCO. Eu aceitei essa tarefa porque acho que, especialmente nesta eleição, há cada vez menos debate, menos discussão sobre o futuro do País. Há muitos ataques pessoais e pouca discussão sobre o que vai acontecer com o Brasil.” Texto colado (2)

Para o candidato, esse esvaziamento do debate eleitoral acompanha uma crise mais profunda da Nova República. Lago criticou um sistema em que a população participa das decisões fundamentalmente no momento da votação e, depois disso, perde praticamente qualquer controle sobre os eleitos. Em sua avaliação, seria necessário aproveitar a campanha para discutir não apenas nomes, mas o rumo econômico e político do País.

“Não importa se a pessoa concorda com tudo o que está escrito no nosso programa ou apenas com uma parte. Temos que debater. Não podemos mais ficar numa situação em que os eleitores são chamados a cada dois anos para ir à urna, apertar um botão e depois quem é eleito faz o que quer. Nós entendemos que esse sistema político brasileiro, essa Nova República, esse regime, não representa mais os interesses populares. Então precisamos discutir tudo isso. Qual é o futuro do País? Em muitas áreas, o Brasil está andando para trás.” Texto colado (2)

A indústria brasileira apareceu como exemplo dessa discussão. Lago comparou a evolução do Brasil desde a década de 1980 com a de países como China, Vietnã e Irã e sustentou que a perda de capacidade industrial brasileira está diretamente relacionada ao agravamento dos problemas econômicos. Foi também por esse motivo que rejeitou separar rigidamente as reivindicações de Bauru dos problemas nacionais.

“Eu acho mais importante discutir as questões nacionais porque estamos todos no mesmo barco. As questões locais têm sua importância, mas os problemas se repetem no Brasil inteiro. Em vez de nos perdermos em pequenas disputas aqui e ali, nós precisamos discutir um projeto para o País. A indústria brasileira regrediu enormemente desde os anos 1980. E, se a indústria anda para trás, o País anda para trás. Isso significa mais pobreza e mais miséria.” Texto colado (2)

A mesma discussão levou ao STF. Lago classificou como excessivo o poder acumulado pela Corte e defendeu uma reforma do Judiciário na qual os magistrados fossem escolhidos pela população e submetidos a mandatos revogáveis. A eleição dos integrantes do Judiciário também vem sendo apresentada por outros candidatos do PCO durante a campanha de 2026. Causa Operária

“Nós temos a questão do Supremo Tribunal Federal, que, para nós, exerce uma ditadura sobre o País. São juízes que não são eleitos pela população. Ninguém escolheu esses juízes. Nós defendemos uma reforma do Judiciário, acabar com o Supremo tal como ele existe e, se houver pessoas exercendo esse poder, que sejam eleitas pela população, com mandatos revogáveis. O Senado Federal é outro órgão que, na nossa opinião, deveria acabar.” Texto colado (2)

No terreno econômico, Lago defendeu ainda a exploração de petróleo na Margem Equatorial. Ele criticou a atuação da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e do presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, afirmando que a demora na autorização da atividade impediu o aproveitamento de uma riqueza que poderia contribuir para o desenvolvimento do Norte do País. Na entrevista, mencionou Guiana e Suriname como países que ampliaram a exploração petrolífera na região. Texto colado (2)

A liberdade de expressão foi apresentada pelo candidato como outro problema nacional. Lago criticou processos e condenações decorrentes de manifestações políticas e argumentou que a expressão de uma opinião não deveria ser tratada da mesma maneira que a prática de um ato criminoso. Sua crítica foi dirigida especialmente ao crescimento das punições judiciais por declarações feitas publicamente. Texto colado (2)

Ao ser questionado sobre o caráter marxista do PCO, Lago explicou que a defesa do socialismo feita pelo Partido não corresponde, em sua formulação, à defesa de uma economia atrasada ou de uma distribuição generalizada da pobreza. Ele relacionou o socialismo ao desenvolvimento das forças produtivas, ao avanço tecnológico e ao aumento da capacidade de produção.

“Muita gente associa o socialismo à miséria. Não. No pensamento marxista, socialismo e comunismo representam um nível tecnológico mais alto, uma produção maior de bens e um desenvolvimento superior das forças produtivas. Só assim será possível superar a miséria que existe no mundo. O capitalismo, inclusive nos países mais desenvolvidos, não conseguiu resolver as necessidades básicas de toda a população.” Texto colado (2)

A China entrou na conversa a partir dessa discussão. Lago disse não considerar o país comunista, citando a existência da propriedade privada, e também criticou seu sistema político. Ao mesmo tempo, apontou o crescimento econômico chinês como demonstração do papel que um Estado forte pode exercer no desenvolvimento material.

“Nós vemos a China numa situação intermediária. Não é realmente um país comunista, porque existe propriedade privada. Mas existe um Estado muito forte e eles conseguem, através de uma combinação com o setor privado e com a iniciativa do Estado, produzir um grande desenvolvimento. É um fato que eles se desenvolveram muito. Nós não classificamos a China como comunista, mesmo sendo dirigida por um partido que se chama comunista, mas consideramos que esse desenvolvimento material precisa existir.” Texto colado (2)

Quando os entrevistadores passaram à jornada de trabalho, Lago diferenciou a proposta do PCO da campanha centrada apenas no fim da escala 6×1. Segundo ele, a reivindicação defendida pelo Partido é a redução efetiva do tempo de trabalho para 35 horas semanais, distribuídas em cinco jornadas de sete horas. A proposta também apareceu em outra entrevista recente do candidato. Causa Operária

“O PCO adota uma reivindicação tradicional do movimento operário brasileiro. Não é simplesmente esse negócio de acabar com a escala 6×1. Nós defendemos a redução da jornada para 35 horas por semana, com no máximo sete horas por dia e cinco dias por semana. Essa é a reivindicação que nós apresentamos. Simplesmente falar em acabar com a 6×1 pode dar a impressão de que isso, por si só, resolve o problema; nós defendemos a redução da jornada de trabalho.” Texto colado (2)

Segurança pública ocupou outra parte extensa da entrevista. Lago rejeitou a apresentação do pequeno crime patrimonial como o centro do problema e direcionou sua crítica ao próprio aparelho policial. Defendeu a dissolução da Polícia Militar, o direito ao armamento e a formação de organismos de defesa organizados pela população. A dissolução da PM e a organização do policiamento pela própria população também foram apresentadas por Izadora Dias, candidata do PCO ao governo paulista. Causa Operária

“Sobre a segurança pública, nós entendemos que esse aparelho repressivo deve ser dissolvido. A Polícia Militar deve acabar e é preciso criar, dentro da população, seus próprios organismos de defesa, dando à população o direito de se armar e se defender. Essa seria, para nós, a forma de impedir esses massacres e esses abusos. Existe uma exploração muito grande do problema da segurança, como se o problema fundamental fosse simplesmente o sujeito que rouba um telefone.” Texto colado (2)

Lago também se declarou contrário à redução da maioridade penal para 16 anos. Ele relacionou a participação de jovens na criminalidade à pobreza, à falta de emprego e às condições sociais em que vivem milhões de brasileiros. Para o candidato, ampliar o encarceramento de adolescentes não resolveria essas causas e transferiria para os jovens pobres a responsabilidade por uma crise social muito mais ampla. Texto colado (2)

Já na parte final, os entrevistadores perguntaram o que uma eventual eleição de Lago significaria especificamente para Bauru. Ele respondeu que um deputado deveria atuar pelas necessidades do município e da região, mas criticou a prática de transformar pequenas liberações de verbas em eixo principal de um mandato.

“Claro que um deputado teria que atuar pelas necessidades da região, ajudar a fazer as coisas avançarem, mas sempre colocando os problemas locais dentro de uma perspectiva nacional. Não quero fazer como esses representantes que dizem: ‘eu trouxe um milhão de verba para Bauru’, apenas para tentar obter votos. Se houver alguma coisa que possa facilitar o desenvolvimento do município e da região, eu contribuiria, mas é preciso colocar isso dentro dos problemas gerais do País.” Texto colado (2)

Ao encerrar a participação, Lago voltou ao ponto que atravessou a entrevista: sua defesa de que a eleição seja usada para discutir programas políticos e os problemas nacionais. O candidato apresentou sua candidatura a deputado federal, de número 2999, e pediu apoio à chapa do PCO.


Gostou do artigo? Faça uma doação!

Rolar para cima

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.