O Partido da Causa Operária (PCO) defende que nenhum beneficiário do Bolsa Família receba menos de um salário mínimo. A reivindicação faz parte do programa apresentado pelo Partido na campanha eleitoral de 2026 e está ligada a uma política mais ampla de aumento da renda dos trabalhadores.
Com o salário mínimo fixado em R$1.621 neste ano, a proposta significaria elevar o piso do programa para mais que o dobro dos R$691 anunciados pelo governo Lula para outubro. Até setembro, o valor mínimo do Bolsa Família permanecia em R$600, quantia que não era reajustada desde março de 2023.
A reivindicação do PCO não surgiu com a proximidade da eleição. O Partido já defendia anteriormente que o Bolsa Família fosse de pelo menos um salário mínimo para as famílias sem renda. Durante a campanha de 2026, a proposta voltou a aparecer entre os pontos apresentados por seus candidatos em diferentes estados.
A política parte da avaliação de que R$600, ou mesmo os R$691 anunciados pelo governo, são insuficientes para cobrir despesas básicas de uma família trabalhadora. Alimentação, aluguel, transporte, gás e demais gastos continuaram aumentando enquanto o piso do benefício permaneceu congelado por mais de três anos.
O reajuste anunciado pelo governo federal em 17 de setembro elevou o valor mínimo de R$600 para R$691, com primeiro pagamento previsto para 19 de outubro. O aumento é de 15,04%. O próprio governo calcula que a inflação acumulada desde o reajuste anterior ficou em aproximadamente 17%, o que significa que a correção anunciada não recompõe integralmente a perda ocorrida no período.
Poucas semanas antes do anúncio, a proposta de Orçamento para 2027 enviada ao Congresso ainda previa a manutenção do piso em R$600. O aumento foi anunciado já na reta final da campanha eleitoral.
Rui Costa Pimenta, presidente do PCO e candidato do Partido à Presidência, criticou o momento escolhido pelo governo para anunciar a medida. “As medidas do PT são, nitidamente, uma tentativa de compra de votos”, afirmou ao comentar o reajuste do Bolsa Família e outras medidas apresentadas nas semanas anteriores à votação.
A proposta defendida pelo PCO, no entanto, não se limita a aumentar o programa assistencial. O Partido apresenta o Bolsa Família de um salário mínimo como uma medida destinada aos trabalhadores e famílias que não possuem renda suficiente, combinada com uma política de aumento geral dos salários.
Entre as principais reivindicações apresentadas na campanha está a reposição integral de 100% das perdas salariais. O PCO também propõe um aumento emergencial de 50% para todos os salários e aposentadorias.
Outro ponto é a adoção da escala móvel dos salários. Pela proposta, sempre que o custo de vida aumentar 3%, os salários seriam reajustados automaticamente no mesmo percentual. O objetivo é impedir que a inflação reduza continuamente o poder de compra enquanto salários e benefícios permanecem congelados.
O Partido também defende um salário mínimo vital, calculado de acordo com as necessidades de uma família trabalhadora. Durante a campanha de 2026, o PCO passou a defender um valor de pelo menos R$8.500.
Dessa forma, a defesa de um Bolsa Família de pelo menos um salário mínimo não aparece como substituição da luta pelos salários. A proposta está ligada à defesa de uma renda mínima para quem se encontra sem trabalho ou sem renda suficiente, ao mesmo tempo em que o Partido reivindica um aumento substancial da remuneração de toda a classe trabalhadora.
A política inclui ainda o cancelamento das dívidas dos trabalhadores com os bancos. Os candidatos do PCO também defendem a suspensão do pagamento da dívida pública e a estatização do sistema financeiro, vinculando essas medidas à liberação de recursos para salários, aposentadorias e serviços públicos.
A diferença entre o programa apresentado pelo PCO e a medida anunciada pelo governo fica evidente nos próprios valores. Enquanto o governo elevou o piso do Bolsa Família para R$691, o Partido reivindica que o benefício corresponda a pelo menos um salário mínimo, hoje de R$1.621.
Essa reivindicação aparece junto da reposição integral das perdas salariais, do aumento emergencial de 50%, da escala móvel e do salário mínimo vital. Assim, o Bolsa Família de um salário mínimo é apresentado pelo PCO como parte de um programa geral de aumento da renda da população trabalhadora, e não como uma medida isolada de assistência social.



