Perseguido pelo Mossad

Rui denuncia abandono de Lucas Passos na prisão

Presidente do PCO afirma que Partido passou a atuar diretamente na defesa do brasileiro preso na Operação Trapiche e critica participação de órgãos estrangeiros no caso

Durante a Análise Política da Semana realizada no sábado (26), Rui Costa Pimenta dedicou parte importante do programa ao caso de Lucas Passos Lima, preso desde novembro de 2023 no âmbito da Operação Trapiche. O presidente do PCO afirmou que o Partido conseguiu colocar um advogado em contato direto com Lucas e descreveu como gravíssima sua situação na prisão.

Segundo Rui, durante muito tempo o Partido tentou falar com Lucas e acompanhar sua defesa, mas encontrou dificuldades. Após os antigos advogados deixarem o caso, o PCO enviou um advogado ao presídio, que conseguiu conversar com Lucas e obter uma procuração para atuar no processo.

“Mandamos o advogado lá, ele foi lá e conversou com o Lucas Passos, conseguiu a procuração dele para ver se ele tem uma defesa minimamente aceitável. E o que é que nós constatamos? Que ele está desesperado”, relatou.

Segundo Rui, Lucas relatou ao advogado uma situação de profundo desespero. Diante disso, o Partido procurou sua mulher, providenciou itens básicos e busca assistência psicológica.

“Ele falou para o advogado o seguinte: ‘semana que vem vocês não vão me encontrar vivo aqui’. Falou que não aguenta mais, está desesperado. Nós estamos tomando providências”, afirmou Pimenta.

O caso ganhou nova importância jurídica neste mês. Em 17 de setembro, a Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça acolheu por unanimidade recurso do Ministério Público Federal e restabeleceu a condenação de Lucas por atos preparatórios de terrorismo. Em 2025, o TRF-6 havia afastado essa acusação e reduzido a pena para 6 anos, 8 meses e 18 dias. Agora, o processo deverá retornar ao tribunal regional para um novo cálculo da pena.

Lucas havia sido condenado em primeira instância a 16 anos, 6 meses e 22 dias. O MPF sustenta que ele participou de preparativos para ataques contra alvos judaicos no Brasil relacionados ao Hesbolá. Entre os elementos citados pela acusação estão levantamento de locais, registros, deslocamentos, aquisição de equipamentos e mensagens consideradas antissemitas.

Rui contestou duramente essa versão durante o programa. Para ele, os elementos apresentados não demonstram a preparação concreta de um atentado. Rui destacou que Lucas não executou qualquer ataque e afirmou que viajar ao Líbano ou pesquisar locais na Internet não bastaria, por si só, para caracterizar terrorismo.

“Você pode supor: ‘ele está pesquisando sinagogas porque quer explodir uma bomba’. Pode supor. Mas essa suposição não caracteriza crime nenhum”, declarou.

A Operação Trapiche foi deflagrada pela Polícia Federal em 2023. Documentos judiciais registram que a PF atuou em cooperação com o FBI na investigação. O próprio governo de “Israel” declarou, na época, que o Mossad também havia participado da operação, afirmação que provocou reação do então ministro da Justiça, Flávio Dino, que declarou que “nenhuma força estrangeira manda na Polícia Federal”.

Para Rui, é justamente essa participação estrangeira que coloca um problema de soberania nacional no centro do processo.

“Como é que a Polícia Federal ficou sabendo dessa viagem dele para o Líbano, onde supostamente ele teria entrado em contato com o Hesbolá? É simples: eles tiveram um depoimento muito importante do Mossad”, afirmou.

A participação do Mossad na operação não é apenas uma acusação do PCO. Em novembro de 2023, o gabinete de Benjamin Netaniahu divulgou comunicado afirmando que os serviços brasileiros, o Mossad e outros órgãos internacionais haviam trabalhado conjuntamente para frustrar o suposto plano. A afirmação israelense foi divulgada publicamente no mesmo dia da operação.

O presidente do PCO também chamou atenção para o fato de o Brasil não adotar uma lista nacional de organizações terroristas que inclua o Hesbolá. A prática jurídica e diplomática brasileira tem sido seguir as designações determinadas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas. A própria Câmara reconheceu essa situação em 2026, durante a discussão de projetos destinados justamente a criar classificações nacionais adicionais.

Por isso, Rui questionou a utilização de classificações adotadas pelos Estados Unidos e por “Israel” dentro de um processo brasileiro.

“Nos Estados Unidos, [o Hesbolá] é considerado terrorista. No Brasil, não. E quem manda no Brasil não são os brasileiros, são os Estados Unidos. E, portanto, você aqui é condenado de acordo com a lei norte-americana e não com a lei brasileira. É uma barbaridade”, afirmou.

Formalmente, a acusação brasileira não depende apenas da inclusão de uma organização numa lista. A Lei Antiterrorismo define condutas, motivações e finalidades que podem configurar terrorismo. No julgamento recente, o MPF alegou que a motivação financeira atribuída a Lucas pelo TRF-6 não afastaria o crime se ele soubesse da finalidade discriminatória do suposto plano. O STJ acolheu esse argumento e restabeleceu a condenação.

A crítica apresentada pelo PCO é outra: para o Partido, os atos atribuídos a Lucas não seriam suficientes para demonstrar a preparação concreta de um atentado e a investigação teria sido fortemente condicionada por informações fornecidas por serviços de inteligência estrangeiros.

O caso já vinha sendo denunciado pelo Diário Causa Operária desde 2024. O jornal destacou repetidamente que a acusação se baseava, entre outros elementos, em viagens ao Líbano, pesquisas na Internet e informações sobre locais ligados à comunidade judaica, e denunciou a participação do Mossad e do FBI na origem da investigação.

Rui afirmou que o PCO pretende agora acompanhar o caso de perto e atuar pela revisão da condenação. Também disse que a prioridade imediata é impedir o agravamento da situação de Lucas.

“Nós vamos estar seguindo esse caso. Estamos procurando impedir que o rapaz faça uma loucura e vamos ver se a gente consegue uma liberação dele”, declarou.

A decisão do STJ tornou a situação processual ainda mais difícil. O tribunal restaurou justamente a acusação mais pesada que havia sido afastada pelo TRF-6 e determinou que a pena seja recalculada.

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