Neste sábado (26), o presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e candidato à Presidência, Rui Costa Pimenta, realizou mais uma edição da Análise Política da Semana, transmitida ao vivo pela Causa Operária TV (COTV). Durante cerca de duas horas e meia, Pimenta analisou a situação política nacional e internacional, abordando a escalada da censura, a perseguição a defensores da Palestina, as eleições presidenciais, a crise do regime político, a política econômica e as propostas apresentadas pelo PCO durante a campanha.
O primeiro assunto foi a liberdade de expressão. Pimenta comentou a condenação em segunda instância de José Maria de Almeida, dirigente histórico do PSTU, por declarações em defesa da Palestina. Para o candidato, o caso faz parte de uma ofensiva mais ampla contra quem denuncia o sionismo.
“O antissemitismo em questão é simplesmente a expressão de uma opinião política. Não é que o cidadão tenha feito nada contra nenhum judeu em particular.”
Rui afirmou que leis apresentadas como instrumentos de proteção contra o racismo e outras formas de discriminação estão sendo utilizadas para restringir manifestações políticas. Segundo ele, o problema não está limitado aos defensores da Palestina, mas aparece também em projetos ligados a “discurso de ódio”, “misoginia” e manifestações na Internet.
Ao comentar uma emenda apresentada no debate sobre a tipificação penal da “misoginia”, Pimenta destacou o trecho segundo o qual liberdade de expressão, manifestação do pensamento e convicções religiosas, filosóficas, científicas, acadêmicas ou políticas não afastariam a responsabilidade caso a conduta fosse enquadrada na nova legislação.
“Para defender a mulher, você não precisa proibir as pessoas de ter sua liberdade de pensamento”, afirmou. Para o dirigente, formulações amplas como “ódio”, “desprezo” e “menosprezo” abrem enorme margem para interpretações judiciais e para a perseguição de opiniões.
Pimenta também criticou setores da própria esquerda que excluíram candidatos do PCO de debates eleitorais realizados em universidades. Segundo ele, episódios desse tipo ocorreram em diferentes estados. O dirigente destacou a contradição de organizações que protestam contra sua exclusão pela grande imprensa, mas adotam métodos semelhantes quando controlam suas próprias atividades.
“Uma coisa curiosa é que nesses debates foi convidado inclusive o Partido Liberal. O Partido Liberal eles convidam, o PCO não”, disse.
Outro ponto extenso da análise foi o caso de Lucas Passos, condenado no âmbito da Operação Trapiche. Pimenta relatou que o PCO conseguiu recentemente estabelecer contato jurídico com Passos e afirmou que sua situação na prisão é grave. Segundo Rui, o Partido passou a acompanhar diretamente sua defesa.
O candidato questionou principalmente a utilização de informações atribuídas ao Mossad, serviço de inteligência de “Israel”, na investigação brasileira e criticou o enquadramento relacionado ao Hesbolá. Durante o programa, ele lembrou que o Brasil não classifica a organização libanesa da mesma maneira que Estados Unidos e “Israel”.
“Ele está preso porque a Polícia Federal brasileira atua como uma repartição do Mossad e da CIA”, acusou Pimenta. A afirmação foi apresentada por ele como conclusão política sobre a investigação, e não como uma constatação judicial.
Na política internacional, Rui também comentou o discurso de Lula na Assembleia Geral das Nações Unidas. Reconheceu como positiva a denúncia do genocídio na Faixa de Gaza, mas considerou a intervenção insuficiente e criticou a posição do presidente brasileiro em relação à resistência palestina.
“Eu acho bom que ele fale que é genocídio, melhor do que não falar nada, mas é só isso, é só um discurso”, declarou.
Para Pimenta, a própria concepção de que a ONU teria como função impedir as guerras ignora a história da organização e sua atuação diante das guerras promovidas pelas principais potências imperialistas. O candidato citou a partilha da Palestina, a Guerra da Coreia, a invasão do Iraque e outros episódios para sustentar sua crítica.
A eleição presidencial ocupou boa parte da segunda metade do programa. Pimenta rejeitou a pressão de setores ligados ao PT para que toda a esquerda apoie Lula como forma de impedir uma vitória de Flávio Bolsonaro.
“Nós somos um partido, o PT é outro partido. Não temos que apoiar o PT. Nós estamos construindo o nosso partido”, afirmou.
O candidato recordou que o PCO apoiou o voto em Lula em circunstâncias específicas, quando o dirigente petista estava preso e sofria perseguição política. Segundo Rui, a situação de 2026 é diferente e a tarefa do Partido é apresentar seu próprio programa e preparar os trabalhadores para os conflitos que considera inevitáveis depois da eleição.
Pimenta também criticou medidas adotadas pelo governo às vésperas da votação, citando o reajuste do Bolsa Família, o programa Desenrola 3 e a decisão de proibir as apostas eletrônicas. Ele classificou essas iniciativas como medidas eleitorais e criticou especialmente o proibicionismo em relação ao jogo.
Sobre as bets, Rui comparou a medida à proibição das drogas e do álcool. Para ele, a existência de vício não justifica retirar de toda a população o direito de decidir se deseja apostar.
“O problema é proibir a aposta, é proibir o jogo. Isso é uma coisa retrógrada. É uma política moralista e tipicamente moralista de classe média conservadora”, afirmou.
Na avaliação mais geral da conjuntura, Pimenta sustentou que a disputa presidencial ocorre em meio a uma deterioração de todo o regime político. Citou os escândalos envolvendo o STF, o Banco Master, integrantes do Congresso e o caso do INSS.
“É podridão escapando por todo lado. Isso abarca todos os partidos. Não é esse partido ou aquele partido, é o regime político que está vindo abaixo”, disse.
Para Rui, a insatisfação encontrada durante a campanha é mais significativa do que o entusiasmo com Lula ou Flávio Bolsonaro. Segundo ele, parte crescente da população não acredita que uma simples troca eleitoral seja capaz de resolver os problemas políticos e econômicos.
Ao responder às perguntas do público, o candidato aprofundou duas das principais propostas econômicas do PCO: o salário mínimo de aproximadamente R$8 mil e o não pagamento da dívida pública.
Sobre os salários, Pimenta afirmou que o baixo rendimento dos trabalhadores reduz o mercado consumidor e prejudica o desenvolvimento nacional. Segundo ele, um grande aumento salarial colocaria dinheiro diretamente na base da sociedade, ampliando o consumo e movimentando a economia.
“O salário brasileiro é artificialmente baixo. O Brasil não é um país pobre. O aumento salarial em nível alto seria uma necessidade econômica fundamental do Brasil”, afirmou.
Rui relacionou os baixos salários também à fragmentação do movimento sindical. Criticou a existência de dezenas de sindicatos diferentes para uma mesma categoria e defendeu grandes organizações nacionais, capazes de negociar salários e organizar greves em escala nacional.
No caso da dívida pública, defendeu uma medida ainda mais radical.
“Um país, em primeiro lugar, tem que vir a população do país. Se você tem um sistema econômico ou político que afeta duramente a vida da população, você tem que se livrar disso. Então, tem que parar de pagar a dívida.”
Segundo Pimenta, os recursos consumidos pelos compromissos financeiros deveriam ser empregados em obras públicas, salários e desenvolvimento econômico. O dirigente afirmou que a discussão ganhou maior receptividade durante a campanha eleitoral deste ano.
Ao final da transmissão, Rui voltou a caracterizar a campanha do PCO como uma forma de apresentar um programa político próprio e fortalecer uma organização independente dos dois principais blocos eleitorais.
“Não é apenas para que as pessoas tenham consciência dos problemas. É para fortalecer um movimento real. O PCO é um partido pequeno, mas é um movimento real. Ele luta, defende suas posições o tempo todo e tem uma certa influência.”
A próxima edição da Análise Política da Semana foi anunciada para o sábado anterior à votação de 4 de outubro, quando a COTV fará uma programação especial de encerramento da campanha.





