Com espanto, o Partido da Causa Operária (PCO) recebeu de simpatizantes e filiados do Partido, bem como de filiados ao Sindicato dos Professores no Distrito Federal (SINPRO-DF) a informação e o questionamento sobre a exclusão das candidaturas do PCO ao Senado e ao Governo do Distrito Federal das publicações da entidade e do debate organizado pelo sindicato nesta segunda-feira, dia 21 de setembro de 2026.
O SINPRO anunciou seu debate com sete candidatos ao Governo do Distrito Federal: José Roberto Arruda (PSD), Ricardo Cappelli (PSB), Kiko Caputo (Novo), Leandro Gass (PT), Paula Belmonte (PSDB), Professor Robson (PSTU) e Professora Samara Mineiro (UP). A atual governadora, Celina Leão (PP), representante dos grileiros e inimiga dos trabalhadores, foi convidada, mas não confirmou presença. Já Expedito Mendonça, candidato do PCO e dirigente sindical há décadas, foi excluído.
O SINPRO decidiu dar espaço para candidaturas dos mais diferentes partidos e posições políticas, inclusive para aqueles que representam projetos frontalmente contrários aos interesses da classe operária, enquanto impede a participação de uma candidatura que se coloca abertamente em defesa da CUT, das organizações sindicais e da luta dos trabalhadores. Entre os que estarão presentes no debate, está Kiko Caputo, do Novo, o partido que quer privatizar o que resta da infraestrutura pública no País. Enquanto ele terá a oportunidade de pregar pelo fim do emprego de milhares de servidores, o PCO, que lutou contra o golpe de 2016, que organizou caravanas pela liberdade de Lula e atua dentro da CUT, por meio da Corrente Sindical Nacional Causa Operária, estará de fora do debate.
O SINPRO-DF afirma que pretende discutir “qual projeto educacional cada candidato propõe”, que denuncia a falta de investimento na educação, os salários defasados, o aumento do número de alunos por sala e a precarização do trabalho docente — mas que, na hora de colocar os candidatos diante dos professores e trabalhadores, decide quem pode e quem não pode falar. Se o SINPRO organiza um debate eleitoral para discutir os problemas da educação e os projetos para o Distrito Federal, que sejam ouvidas as candidaturas que estão efetivamente disputando a eleição.
As desculpas não se sustentam
Assim que tomou conhecimento da exclusão, a coordenação da campanha dos candidatos e militantes do partido procurou a direção da entidade para entender o que havia acontecido, prestar os devidos esclarecimentos e buscar os meios necessários para corrigir a situação.
No caso do professor David Horn Pureza, candidato do PCO ao Senado, a justificativa apresentada foi que a organização não teria localizado sua candidatura na pesquisa realizada.
Ocorre que David é professor, militante histórico da categoria, filiado ao SINPRO-DF desde 1989, com 35 anos de dedicação ao ensino público em Samambaia e trajetória marcada pela atuação nas lutas em defesa da escola pública e da categoria docente.
Sua candidatura está oficializada e homologada pela Justiça Eleitoral. Ele já concedeu entrevistas à imprensa da cidade e realizou diversas atividades de campanha.
Ainda assim, seu nome simplesmente desapareceu da relação de professores filiados ao SINPRO candidatos nas eleições, publicada pelo sindicato no informativo Quadro Negro, edição nº 212, de setembro de 2026.
Enquanto isso, participará do debate o reacionário José Roberto Arruda, cuja candidatura ao Governo do Distrito Federal teve o registro negado pelo TRE-DF em razão de suas seis condenações por improbidade administrativa.
No caso de Expedito Mendonça, a justificativa apresentada é que teria sido enviado um e-mail com o convite e que somente participaria do debate quem tivesse respondido à mensagem e participado da reunião de organização.
Mas Expedito não teve acesso ao convite. E, quando tomou conhecimento do problema, fez exatamente o que deveria fazer: procurou o sindicato.
No dia 18 de setembro, após contato telefônico de sua assessoria com a direção da entidade e o envio de e-mail solicitando esclarecimentos, o próprio candidato esteve no SINPRO, reuniu-se com a comissão organizadora e deixou claro que, mesmo não tendo participado da reunião preparatória, aceitaria as regras estabelecidas para o debate.
Quem o sindicato está deixando falar?
Se uma entidade sindical exclui uma candidatura que defende a CUT e os trabalhadores, mas chama para o seu debate candidatos de partidos que defendem outros interesses e outros projetos para o Estado e para a sociedade, ela está fazendo uma escolha sobre o que a categoria poderá ouvir.
Não existe defesa da classe trabalhadora quando se fecha o espaço para aqueles que defendem suas organizações de luta. E não existe “erro burocrático” capaz de justificar que se dê voz a uns e se retire a voz de outros.
Pedimos ao SINPRO-DF que reveja imediatamente a exclusão de Expedito Mendonça e assegure sua participação no debate. Também pedimos a correção da exclusão do professor David Horn Pureza da divulgação das candidaturas de professores filiados ao sindicato.
E fazemos um chamado às demais candidaturas, especialmente às que se apresentam como progressistas e de esquerda: não aceitem a censura contra uma candidatura que defende a CUT e os trabalhadores.




