Escândalo do Banco Master

Depois de defender receber dinheiro da CIA, Jones defende contrato com Vorcaro

Youtuber do PSOL transforma Flávio Dino em herói da sessão do STF, com objetivo de proteger Alexandre de Moraes e a campanha de Lula, seu candidato a presidente

Jones Manoel gravou um vídeo para explicar a sessão do Supremo de 15 de setembro. Nele, o youtuber lê o artigo de Antônio Martins no Outras PalavrasA bravura de Dino que se espera de Lula — e disse que concorda plenamente. Dino foi o grande sabotador da sessão. Pediu vista, travou o julgamento e teria aberto tempo para “redesenhar o centro do debate”. Afinal, segundo o youtuber, investigar Alexandre de Moraes agora seria “armadilha da extrema direita”, pois focar no contrato com Vorcaro favoreceria Flávio Bolsonaro.

A exaltação de Dino é para defender Moraes. É para defender o mesmo ministro que mandou prender mil pessoas e que, no mesmo período, aparece ligado a um contrato de R$131 milhões do Banco Master com o escritório da mulher. O togado que se vendeu como escudo da “democracia” é o togado do banqueiro. Jones quer que isso saia do centro. Quer que o país fale de outra coisa até o segundo turno.

Não é novidade. Em 2022, o mesmo Jones explicou que receber dinheiro de fundação imperialista “não te faz agente dos EUA”. Fundação Ford, Open Society, o pacote inteiro.

Moraes, por sua vez, teria “vícios, que são muitos”, mas tem a “enorme virtude” de ter mandando mil pessoas para o calabouço após o 8 de janeiro. Por isso não pode cair. Por isso Dino fez bem em congelar o processo. Por isso Lula erra quando diz que “quem fez tem que ser julgado e punido”. Até a frase óbvia vira problema, porque “qualquer conteúdo” sobre o STF “joga água no moinho” do bolsonarismo.

Tradução: o ministro pode ter contrato com banqueiro. O que não pode é o eleitor ficar sabendo na reta da eleição.

Jones saiu do PCB, fundou o PCBR, largou o PCBR e entrou no PSOL para ser deputado federal em Pernambuco. A legenda cobrou o óbvio: apoio a Lula. No vídeo, o youtuber já fala como cabo eleitoral. A campanha “precisa reagir”. Mudar o eixo. Pegar quem está insatisfeito com o governo, mas não pode votar em Flávio.

Até ontem o discurso era independência de classe e choque de projetos. Hoje o choque de projetos é Dino pedindo vista para Lula não sangrar.

A ironia se completa sozinha. O homem que passou anos chamando de otário quem denunciava o financiamento imperialista da esquerda agora chama de otário quem quer investigar o ministro do contrato. O mesmo que celebrou a prisão de Bolsonaro como festa agora explica que falar do Master é “enquadramento” da ultradireita. O mesmo que apoiou a censura de Moraes agora descobre que o problema do Supremo é o calendário eleitoral de André Mendonça.

Mendonça, Fux, Nunes Marques e Toffoli foram citados no escândalo. Jones lista todos eles para, logo depois, implorar no mais criminoso deles. Investigar todo mundo, menos agora, menos o que derruba o operador da ditadura judicial.

No dia 15, o plenário ia decidir se Moraes entra na apuração do Master. Dino pediu vista. O julgamento parou por até 90 dias.  Jones descreve isso como genialidade tática. Um ministro do próprio tribunal, indicado por Lula, trava a investigação do colega mais próximo da Frente Ampla — e vira “quadro de enorme preparo”.

Se o debate “Alexandre é ou não parça do Vorcaro” favorece a extrema direita, o que favorece a classe trabalhadora? Segundo Jones, falar de 6×1 e de projeto econômico. Como se um não pudesse existir junto com o outro. Como se o banco que pagou o escritório da mulher do ministro fosse um detalhe de gabinete, sem relação com quem manda no país.

Qualquer operário entende o contrário. O mesmo Estado que prende aos milhares é o Estado que fatura com banqueiro. Separar as duas coisas é o serviço que a Frente Ampla precisa.

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