Os R$211 milhões destinados pelo banqueiro Daniel Vorcaro à família de Alexandre de Moraes colocaram o PSTU diante da política que defendeu nos últimos anos. O partido apoiou prisões, cassações e ameaças judiciais contra adversários do ministro tornado ditador. Agora, depois que mensagens e contratos ligaram Moraes ao Banco Master, o PSTU passou a pedir sua saída, em uma tentativa fracassada de limpar sua imagem.
No artigo O sistema dos ricos escancarado, publicado pelo Opinião Socialista em 9 de setembro, Júlio Anselmo escreveu: “Defendemos a saída de Moraes, de Mendonça e de todos os envolvidos”. O mesmo texto, porém, sustenta que as punições do 8 de Janeiro não devem ser revistas. Além disso, o partido que se reivindica trotskista, mas que é herdeiro do anti-Trótski Nahuel Moreno, apresenta uma política absolutamente conservadora: saída de alguns ministros para a recomposição da entidade ilegítima que é o STF, ao invés de exigir a dissolução do órgão antidemocrático e antipopular.
O PSTU e a defesa de Moraes
Em 29 de agosto de 2021, a juventude do PSTU publicou o artigo Contra ameaças autoritárias de Bolsonaro, ir às ruas dia 7 de setembro.
Copiando a versão da burguesia, o texto apresentava as críticas de Jair Bolsonaro ao STF como parte de um golpe e afirmava que “falar contra o STF faz parte do perfil antiregime e anti-instituições”. A formulação ajudava a transformar toda denúncia contra o tribunal em ameaça golpista, além de entregar à direita o status de “antiregime” (sic) e “anti-instituições”. Qualquer revolucionário que se preze deveria ser, obrigatoriamente, contra o regime político burguês e suas instituições ditatoriais e carcomidas.
Mas os revolucionários de jardim de infância do PSTU não. Eles são os mais fiés defensores do regime da burguesia e das instituições dos banqueiros.
Moraes já comandava um esquema que se mostrou mafioso de perseguição política e retirada de direitos democráticos básicos. O PSTU, no entanto, preferiu apresentar o tribunal como bastião da “democracia”.
A posição ficou explícita em abril de 2022. No artigo Indulto de Bolsonaro é insulto aos trabalhadores e o povo! Prisão já para Daniel Silveira!, o PSTU declarou: “A condenação de Daniel Silveira só não é mais justa por ter sido tardia e branda”.
O partido exigiu a prisão imediata e a perda do mandato do deputado. Assim, apoiou uma condenação imposta pelo STF por declarações contra os próprios ministros. Um deputado já não tinha mais o direito de expressar suas opiniões, pelo que foi eleito, perdendo garantias básicas do exercício do cargo a mando de juízes que nunca passaram pelo escrutínio popular. Tudo isso com o apoio de um partido que se diz socialista.
Prisão, prisão e mais prisão
Durante os bloqueios de rodovias após as eleições de 2022, o PSTU voltou a apoiar a ação de Moraes. No artigo Mobilizar nas ruas contra os bloqueios bolsonaristas, publicado em 1º de novembro, a direção do partido escreveu: “O diretor-geral da PRF deve ser preso imediatamente”.
O texto apoiava a ameaça de prisão feita por Moraes contra o chefe da Polícia Rodoviária Federal e pedia punições contra integrantes das forças de segurança. O método era simples: multas, prisões e ordens judiciais para impor a autoridade do STF. Mas o próprio Moraes foi cúmplice daquela tentativa de fraudar as eleições, ao passar pano para a ação arbitrária da PRF e garantir que o processo eleitoral é imaculado, apesar de um número incontável de eleitores não ter podido chegar aos locais de votação.
Em janeiro de 2023, após os acontecimentos de 8 de Janeiro, a Direção Nacional do PSTU defendeu prisão e confisco dos bens dos envolvidos. Mesmo afirmando que não confiava no STF, o partido ajudou a justificar a concentração de poderes nas mãos de uma camarilha que estava colocando trabalhadores, desempregados e até moradores de rua na cadeia.
O escândalo obriga o recuo
O caso Master tornou impossível manter a imagem de Moraes como representante da democracia contra o bolsonarismo. As mensagens de Vorcaro, o contrato milionário com o escritório da esposa do ministro e a disputa entre os integrantes do STF expuseram os interesses que movem a instituição.
O PSTU agora reconhece que Moraes, André Mendonça e outros envolvidos devem ser investigados e afastados.
No entanto, como toda a esquerda pequeno-burguesa, considera as relações de Mendonça no mesmo nível que as de Moraes com Vorcaro, tudo isso para proteger o ditador-mor do STF, Moraes. Também aplica uma política conservadora ao não questionar a autoridade ilegítima do STF, que deveria ser extinto. Por último, não abandonou a defesa das condenações absurdas determinadas pelo próprio tribunal.
Essa combinação revela o oportunismo do partido.
A defesa do STF feita pelo PSTU é a defesa do Estado burguês e de seus órgãos repressivos. É uma política pró-imperialista porque mantém os trabalhadores subordinados a instituições sem controle popular, compostas por prostitutas dos grandes capitalistas.
A crise não exige confiança em uma ala do tribunal contra outra. Exige a abertura de todos os sigilos, a investigação de todos os envolvidos, a queda de Moraes e o fim do STF. Os trabalhadores devem conduzir essa luta por meio da mobilização independente, sem entregar suas liberdades ao STF ou aos seus antigos defensores.




