O cineasta chileno Patricio Guzmán morreu nesta terça-feira (15), aos 85 anos, em Paris. Sua esposa informou que a causa foi uma parada cardiorrespiratória.
Guzmán tornou-se uma referência do documentário latino-americano principalmente pela trilogia A batalha do Chile.
Filmada durante a crise que antecedeu o golpe militar de 1973, a obra acompanhou manifestações, reuniões políticas, conflitos entre trabalhadores e empresários e a ofensiva contra o governo de Salvador Allende.
O diretor acabou preso depois da derrubada de Allende.
Posteriormente, viveu no exílio em países como Cuba, Espanha e França.
Ao recordar o trabalho décadas mais tarde, Guzmán destacou a escolha de registrar os acontecimentos a partir das forças sociais mobilizadas.
“Para a juventude, o valor incalculável era o de um diretor contando uma história do ponto de vista da massa, do coletivo, e não do dos vencedores, como costumam fazer os historiadores.”
O golpe e seus efeitos continuaram presentes em boa parte de sua obra.
Em Chile, a memória obstinada, de 1997, retornou aos personagens e acontecimentos registrados anteriormente. Em O caso Pinochet, lançado em 2001, tratou do processo que levou à prisão do antigo ditador.
Guzmán também explorou outras formas de documentário.
Nostalgia da luz, de 2010, aproximou astronomia, memória e a procura pelos desaparecidos políticos da ditadura. O filme ganhou o prêmio de melhor documentário no European Film Awards.
O cineasta recebeu ainda o Urso de Prata pelo roteiro de O botão de pérola e o Goya de melhor filme íbero-americano por A cordilheira dos sonhos.
O Ministério das Culturas do Chile o definiu como uma “figura fundamental do cinema e da cultura nacional”.
Guzmán deixa uma obra inseparável da história política chilena e um extenso registro das lutas sociais que desembocaram no golpe de 1973.





