Análise Política da Semana

Rui Costa Pimenta: crise do STF ameaça PT e expõe ditadura judicial

Presidente nacional do PCO analisou a crise de Moraes, a situação eleitoral de Lula, a vitória do Iêmen, a censura e os 25 anos do 11 de Setembro

O presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e candidato à Presidência do Brasil, Rui Costa Pimenta, apresentou neste sábado (12) mais uma edição da Análise Política da Semana, programa transmitido todos os sábados pela Causa Operária TV (COTV).

A crise do Supremo Tribunal Federal (STF) ocupou grande parte da análise. Para Rui Costa Pimenta, as revelações envolvendo Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro atingiram diretamente uma instituição que, nos últimos anos, assumiu poderes extraordinários sobre a política nacional.

“O centro, o núcleo da crise política é a presença de um juiz totalmente arbitrário, ditatorial, truculento no STF, que se transformou em verdadeiro governo nacional e que foi pego com a mão na massa no dinheiro do Vorcaro. […] O problema do STF é 50 vezes maior do que o dinheiro do filme e do Bolsonaro. O problema do STF é o juiz dos R$200 milhões e o possível envolvimento dos demais juízes do STF. Quer dizer, colocou em questão a autoridade de uma instituição que domina o País. Eu digo que colocou em questão porque estou sendo modesto. Na verdade, explodiu o STF.”

O dirigente apontou também a responsabilidade política da esquerda e, principalmente, do PT. Durante anos, esses setores apresentaram Moraes e o Supremo como barreiras contra o bolsonarismo e deram cobertura às arbitrariedades cometidas pelo Judiciário.

“Tudo o que ele fez até hoje, ele fez com um apoio, por um lado, da burguesia, da grande imprensa capitalista, do sistema político, do Centrão etc., e da esquerda. A esquerda serviu como uma espécie de cobertura ideológica para as loucuras de Alexandre de Moraes e do STF. E, neste momento, a burguesia está atacando Alexandre de Moraes. […] A tentativa de defender Alexandre de Moraes ou desviar o assunto, que são duas tentativas diferentes, não tem como dar certo.”

A crise já repercute sobre a campanha presidencial de Lula. Rui Costa Pimenta chamou a atenção para levantamentos que mostram Flávio Bolsonaro se aproximando do presidente e afirmou que o PT se colocou numa posição difícil ao vincular sua política à defesa de Moraes.

“A única possibilidade do PT se livrar desse problema seria vir a público e crucificar Alexandre de Moraes abertamente. Falar que ele é bandido mesmo, tem que ser preso, tem que sair do STF e tal, mas eles não fazem isso. Eles não fazem porque estão comprometidos com o STF. […] Se não falar nada, vai fritando a campanha do Lula. Se falar, pode ser pior do que não falar nada. Então, eles estão sem muita alternativa política clara.”

Para o presidente do PCO, a tentativa de deslocar a discussão para André Mendonça ou para investigações relacionadas ao financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro não altera o problema fundamental: o escândalo colocou em xeque o próprio Supremo.

Rui Costa Pimenta denunciou ainda a atuação da Justiça Eleitoral contra o PCO. Em São Paulo, as candidaturas do Partido foram impugnadas sob alegação de irregularidade no diretório estadual, apesar das tentativas feitas anteriormente para resolver a situação.

“Assim como o STF se tornou proprietário da Constituição Nacional, o TSE, os tribunais eleitorais, no caso o Tribunal Regional de São Paulo, mas o TSE de um modo geral, se transformou em proprietário da eleição. Quer dizer, a eleição é deles: se ele não quer que fulano concorra, não vai concorrer. Se ele quer que fulano concorra, esse aí vai concorrer.”

A liberdade de expressão também esteve entre os assuntos discutidos. Rui Costa Pimenta citou a perseguição à historiadora Mary Del Priore por causa de uma obra sobre a mestiçagem brasileira, as tentativas de impor normas ideológicas a professores e a perseguição sofrida por Bruno Aiub, o Monark.

Durante a transmissão, chegou ainda a informação de que a conta do Diário Causa Operária no Instagram havia sido derrubada permanentemente.

Rui Costa Pimenta relacionou esses episódios à expansão da censura promovida sob justificativas identitárias.

“A cada caso, como esse da historiadora, mais pessoas vão se colocando contra essa operação identitária. E elas vão se dando conta de que isso daqui não é a luta do oprimido. […] O identitarismo está se revelando como uma política de opressão sobre as pessoas.”

Outro assunto foi o aniversário de 25 anos dos atentados de 11 de Setembro. Rui Costa Pimenta lembrou que os ataques foram utilizados pelo imperialismo norte-americano para justificar uma ofensiva militar que destruiu países inteiros no Oriente Médio e na Ásia Central.

Ele mencionou estimativas segundo as quais as guerras posteriores aos atentados provocaram milhões de mortes diretas e indiretas e dezenas de milhões de deslocados.

“Morreram 3.000 e eles mataram cinco milhões de pessoas. Quer dizer, tudo isso é um esquema criminoso e genocida. Hoje em dia, se você vai apoiar as democracias e os democratas, você tem que ter consciência de que você é um aliado do genocídio, de gente totalmente criminosa. […] O capitalismo democrático é uma fonte inesgotável de sofrimento para a humanidade.”

No Oriente Médio, a ofensiva das forças iemenitas contra agrupamentos sustentados pela Arábia Saudita foi classificada como uma das notícias mais importantes da semana. O avanço recuperou milhares de quilômetros quadrados na costa do Mar Vermelho e levou as forças do Iêmen a posições decisivas no Estreito de Babelmândebe.

Para Rui Costa Pimenta, a derrota saudita pode produzir consequências em toda a região.

“A derrota foi muito avassaladora. Logicamente, essa derrota tem a ver com o que está acontecendo no golfo Pérsico. […] Se o regime político da Arábia Saudita entrar numa crise, e é possível que aconteça isso porque a situação é delicada, isso vai significar uma mudança na situação do Oriente Médio decisiva, fundamental. Confirma nossa tese de que todo o enfrentamento em Gaza e o enfrentamento contra o Irã estão provocando na região uma fermentação revolucionária muito grande. A guerra do Iêmen é uma guerra revolucionária. Se você vê a filmagem do exército do Iêmen, é o retrato do que está acontecendo lá: o pessoal de sandália derrotando um exército moderno, superbem armado.”

O domínio de posições próximas a Babelmândebe aumenta a capacidade do Iêmen de controlar a navegação pelo Mar Vermelho, onde o Ansar Alá mantém operações contra embarcações vinculadas a “Israel” desde o início do massacre em Gaza.

A eleição estadual na Alemanha também foi comentada. O avanço da extrema direita foi relacionado à política seguida pela esquerda europeia, cada vez mais identificada com o regime político, a censura e o identitarismo.

“A censura, o identitarismo, as manobras judiciais vão provocar um desastre político para a esquerda. […] Essa política, que é a mesma política que está sendo utilizada no Brasil com resultados muito negativos, é um fracasso total. Não é meio fracasso, é um fracasso total.”

No bloco de perguntas, Rui Costa Pimenta foi questionado sobre a posição que o PCO poderá tomar em um eventual segundo turno presidencial. Ele explicou que a decisão será tomada pela militância reunida em conferência, de acordo com a situação política existente naquele momento.

“O Partido vai ter que se reunir e vai discutir. Uma coisa que a gente tem que levar em consideração é o seguinte: o PCO não tem esse negócio do mal menor. Ou a gente vota porque tem um motivo para votar ou a gente não vota. Então a militância vai discutir, vai se posicionar diante da situação.”

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