Victor Assis, candidato do Partido da Causa Operária ao governo de Pernambuco, apresentou as posições do Partido durante entrevista concedida nesta sexta-feira (11) à Nova Brasil Recife. Militante do PCO há dez anos e jornalista, Victor explicou que sua candidatura não pretende repetir as promessas feitas pelos políticos tradicionais a cada eleição.
“O PCO não comparece às eleições para fazer promessas. Nós temos a avaliação de que os políticos tradicionais fazem promessas daquilo que eles não vão cumprir, enrolam a população. Nesse sentido, nosso objetivo para as eleições é convocar os trabalhadores, a população em geral, para lutar pelos seus direitos. Nós acreditamos que apenas a própria organização dos trabalhadores é capaz de resolver os problemas colocados, os grandes dramas da classe operária.”
Victor diferenciou a apresentação de um programa político da promessa de que um governador, individualmente, poderá solucionar os problemas de Pernambuco.
“Não é que a gente não tenha propostas. Falei que a gente não vai fazer promessas. Se considera promessa você dizer assim: ‘eu prometo que vou fazer uma escola e vou resolver o problema da alfabetização’. Isso eu considero uma mentira. Não tem político capaz de resolver problema nenhum sozinho. Finalmente, o Estado não tem dinheiro. Está estrangulado pela dívida pública. É um mecanismo criminoso de comprometimento do Estado com os bancos.”
Trabalhadores devem controlar a educação
Na educação, Victor defendeu a organização dos próprios trabalhadores para controlar as condições das escolas, a qualidade do ensino e as reivindicações dos professores.
“A gente defende que os comitês deem conta tanto de fiscalizar a qualidade do ensino quanto das questões salariais referentes aos docentes e das condições de infraestrutura das escolas, que são terríveis. E a gente também defende o não reconhecimento da dívida pública, que é hoje uma das grandes questões que impedem investimento real na educação, na saúde, nas questões fundamentais para o brasileiro.”
O candidato também defendeu o fim do vestibular e o livre ingresso nas universidades.
“Defendemos o fim do vestibular e o ingresso livre na universidade para satisfazer, nesse sentido, a participação de todo o povo brasileiro no ensino superior.”
Saúde pública inteiramente estatal
Sobre a saúde, Victor defendeu que hospitais, medicamentos e demais serviços necessários à população estejam sob responsabilidade do Estado.
“A gente também defende uma estatização completa da saúde. E a estatização vai tanto no sentido de não dar nenhuma verba para os tubarões dos hospitais privados e dos planos de saúde como de garantir pelo Estado tudo aquilo que a população precisa para seus problemas de saúde. Isso vai também para o próprio sistema farmacêutico.”
Para o candidato, a população não pode ficar submetida aos interesses de bancos, hospitais privados e empresas farmacêuticas quando precisa de tratamento.
“Não dá para deixar a vida da população, as questões mais urgentes e mais necessárias, dependendo da especulação de meia dúzia de banqueiros, que brincam com a vida da população apenas visando ao lucro, visando ao dinheiro. A gente defende, nesse sentido, a estatização, o não reconhecimento da dívida pública e um plano de emergência para a construção de hospitais e postos de saúde, para que haja vagas suficientes para tratar a população.”
Victor recordou o caso de Natália Pimenta, histórica dirigente do PCO que morreu de câncer no ano passado depois de não conseguir acesso a um medicamento necessário ao tratamento.
“No ano passado nós fizemos uma campanha de denúncia porque uma dirigente do nosso Partido, Natália, acabou falecendo vítima de um câncer, justamente porque o Estado se negou a comprar o remédio. No fim das contas, a justificativa é que o remédio era muito caro. Ou seja, a vida no Brasil tem preço. Se é um remédio para um tratamento raro, experimental, se é um remédio que não é habitual no Brasil, esse remédio não vai chegar à população brasileira.”
‘O principal problema de segurança pública é a existência da própria polícia’
Na segurança pública, Victor apresentou uma posição oposta à política de ampliar os aparelhos policiais.
“A gente tem uma posição diferente sobre a questão de segurança pública em relação aos demais partidos, incluindo a própria esquerda. Para nós, o principal problema de segurança pública hoje é a existência da própria polícia. Esse mesmo Estado que eu venho criticando durante a entrevista, que não se preocupa em utilizar o dinheiro para a educação, para a saúde, que está completamente refém dos banqueiros, é também o mesmo Estado que organiza a polícia.”
Victor ressaltou que a crítica é dirigida às corporações e à função que cumprem no Estado, não ao policial individual.
“Não estou aqui criticando pessoalmente o policial, que em geral é uma pessoa pobre, que vem da própria classe operária. Mas o sistema no qual a polícia está organizada é um sistema para proteger os ricos. Isso vale para a Polícia Federal, vale para a Polícia Civil, vale para a Polícia Militar. A Polícia Militar é uma máquina de guerra contra a população pobre.”
A proposta apresentada é acabar com as polícias organizadas pelo Estado e substituí-las por forças controladas diretamente pela população de cada região.
“Por isso a gente defende o fim da polícia, ou seja, o fim de uma polícia organizada pelo Estado, em todos os níveis, seja federal, civil, militar, e a constituição de polícias que sejam organizadas em cada bairro e que os seus chefes sejam eleitos pela própria população. Sejam polícias controladas efetivamente pelo povo, não pelo Estado; pelo povo. Que seus comandantes sejam pessoas que o povo escolha, conheça e possa modificar.”
Dívida pública bloqueia os investimentos
Victor voltou à dívida pública ao responder sobre infraestrutura. Segundo ele, qualquer plano de grandes obras depende de interromper a transferência de recursos públicos para os bancos.
“A questão da infraestrutura está, em primeiro lugar, ligada com o problema que já abordei antes, que é a questão da dívida pública. Para realizar qualquer obra de infraestrutura, o Estado precisa ter dinheiro para contratar os trabalhadores, engenheiros e para a própria aquisição da matéria-prima.”
O candidato defendeu a reestatização das grandes empresas estratégicas e citou a Eletrobrás, a Petrobrás e os Correios.
“A gente defende a estatização de todas as grandes empresas envolvidas na economia nacional. Isso passa pela reestatização da Eletrobrás, pela estatização efetiva da Petrobrás, coisa que ela nunca foi de fato, pela luta contra a privatização dos Correios e pelo controle dos trabalhadores.”
Victor afirmou que a propriedade estatal, sozinha, não basta. Os trabalhadores das empresas devem poder eleger os responsáveis pelos cargos de direção.
“A gente considera que não basta a empresa ser estatal. É preciso que os trabalhadores tenham controle sobre a sua própria produção, elegendo, por meio de comissões que os próprios trabalhadores possam eleger, os responsáveis por todos os postos de direção dessas empresas.”
Também defendeu o fim da política que vincula os preços dos combustíveis ao dólar e a exploração das riquezas brasileiras em benefício do País.
Grandes obras para combater o desemprego
Victor defendeu ainda a realização de grandes obras públicas para absorver trabalhadores desempregados e atender às necessidades de infraestrutura.
“Somos a favor também da restituição do direito de greve, para que os trabalhadores envolvidos possam lutar pelas suas reivindicações. E também somos a favor, diante da situação de desemprego, da criação de grandes obras públicas, para que o Estado possa absorver o grande desemprego e assim combater o desemprego e também resolver grandes problemas de infraestrutura.”
A entrevista foi conduzida a partir da ideia apresentada por Victor desde sua primeira resposta: o programa do PCO não depende da confiança em um candidato ou nas instituições atuais, mas da organização dos trabalhadores para impor suas reivindicações.




