Depois que os trabalhadores da Caixa Econômica Federal rejeitaram as propostas do banco em relação às pautas de reivindicação do Acordo Coletivo de Trabalho e decretaram greve por tempo indeterminado, a partir deste dia 10 de setembro, a direção da Caixa convocou uma nova negociação, nesse mesmo dia 10, apresentou uma “proposta final” e ameaçou os bancários: se ela não for aceita pela categoria até este dia 11 de setembro, o banco irá entrar com pedido de dissídio coletivo junto ao Tribunal Superior do Trabalho (TST).
Conforme informe do Comando de Negociação dos Trabalhadores, “a proposta apresentada pela Caixa é válida até esta sexta-feira (11). O banco informou que, caso os termos não sejam aprovados pela categoria dentro do prazo, retirará a proposta e ingressará com dissídio coletivo, situação em que as questões não seriam mais definidas por meio de negociação entre as partes, mas por decisão judicial”.
A “nova” proposta do banco não muda nada no essencial em relação às pautas dos trabalhadores aprovadas no 41º Conecef (Congresso Nacional dos Empregados da Caixa Econômica Federal). Apenas tenta maquiar questões que não irão impactar diretamente a vida dos bancários, tais como: prêmio de R$ 3 mil; medidas relativas à diversidade; manutenção do Programa Linha de Cuidado etc. No entanto, no que é essencial, como o aumento real de salário de 5%, a luta contra as demissões, as reestruturações com descomissionamentos, a terceirização, as condições de trabalho e uma das principais reivindicações em relação ao plano de saúde Saúde Caixa, a proposta do banco continua sendo um gigantesco ataque aos trabalhadores, passando dos míseros 6,5% de aporte do banco para também míseros 8%, quando a reivindicação é o retorno ao modelo 70/30, com 70% do custeio arcado pela Caixa e 30% pelos beneficiários.
Proposta Saúde Caixa (válida até 11/9)
- De R$ 75 para R$ 150 na consulta em pronto-socorro (fora do teto)
- Isenção de coparticipação em telemedicina
- Abertura de adesão por 90 dias para titulares que estão fora do plano
- Impossibilidade de reingresso após o cancelamento da adesão
- Aumento do teto de coparticipação anual de R$ 3.600 para R$ 4.800 por grupo familiar
- Recadastramento anual obrigatório
- Teto por grupo familiar: 9%
- Dependentes indiretos fora do teto
- Piso por beneficiário: R$ 50
- 13 mensalidades
Quando fechávamos esta edição, estavam acontecendo assembleias em todas as bases sindicais do País para debater e deliberar os próximos passos da campanha salarial dos bancários da Caixa.
As propostas da direção da empresa são mais um ataque aos direitos dos trabalhadores, e a ameaça, por parte do banco, de ajuizar o dissídio demonstra que os trabalhadores assumiram o caminho certo da luta. Somente um programa que parta das necessidades mais sentidas dos trabalhadores, como a defesa de sua sobrevivência, pode articular a resistência à ofensiva dos patrões e de seus governos. Sobre a base deste programa, é necessário um plano de lutas que supere o imobilismo da política das direções sindicais e dê um caráter unitário às tendências de luta presentes entre os trabalhadores.




