O Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) da Universidade Federal do Rio de Janeiro anunciou novas medidas depois do episódio em que um estudante de História foi espancado após ser acusado de fazer apologia ao nazismo.
A direção informou que distribuirá aos professores um guia sobre como proceder diante de conflitos e casos considerados extremistas. Também estão sendo discutidas medidas de segurança e procedimentos para impedir novas agressões.
Diego Costa da Silva Araújo, de 27 anos, foi atacado depois de outros alunos acusá-lo de utilizar símbolos nazistas.
Ele vestia uma camiseta da banda inglesa Death in June e carregava na jaqueta um broche com uma suástica cortada pelo sinal de proibido.
A discussão sobre a ideologia de Diego não é o problema desta matéria.
Ele nega ser nazista e afirma considerar-se marxista. Outros estudantes o acusam de neonazismo. Existem ainda versões conflitantes sobre quem iniciou as agressões.
O que não depende dessa discussão é um princípio elementar: ninguém deve ser espancado por aquilo que pensa.
Segundo Diego, um grupo de dez a 15 pessoas entrou na sala em que assistia a uma aula e começou a acusá-lo. Um estudante teria dado voz de prisão e afirmado que havia uma viatura esperando do lado de fora.
Diego diz que acompanhou o grupo por acreditar que falaria com policiais e começou a ser agredido depois de sair da sala.
Um exame de corpo de delito constatou lesões compatíveis com agressão.
Deivid Lima apresenta outra versão. Afirma que Diego iniciou a violência e dirigiu contra ele insultos racistas. Diego nega.
A Polícia Civil apura as acusações dos dois lados.
Três dias depois do episódio, mais de cem professores e técnicos divulgaram uma carta contra o chamado “nazi-fascismo”. O documento presta solidariedade a Deivid, chama Diego de neonazista e rejeita a caracterização das agressões como linchamento.
É justamente aí que surge um problema político importante.
Combater o fascismo não significa espancar qualquer indivíduo apontado como fascista.
O fascismo é uma força política organizada. Historicamente, suas organizações e grupos de choque são utilizados para atacar sindicatos, organizações operárias, movimentos estudantis e partidos da esquerda.
Quando grupos desse tipo se organizam para agredir trabalhadores e estudantes, é legítimo e necessário organizar a autodefesa.
Isso não tem relação com cercar uma pessoa isolada e espancá-la por causa de uma camiseta, uma declaração ou determinada posição política.
Mesmo que fosse comprovado que Diego possui opiniões nazistas, continuaria sendo necessário combatê-las politicamente enquanto não houvesse uma agressão ou ação concreta que exigisse defesa física.
Transformar uma acusação ideológica em licença para bater em alguém cria um método extremamente perigoso.
A própria esquerda conhece esse problema.
Comunistas, sindicalistas e militantes operários foram historicamente chamados de terroristas, extremistas, criminosos e inimigos da ordem. A direita também procura transformar posições políticas em justificativa para repressão.
Não se pode responder aceitando o mesmo princípio com o sinal trocado.
A diretora do IFCS, Mayra Goulart, declarou que a universidade deve ser um espaço de pluralidade e que nenhuma violência contra estudantes pode ser aceita. Segundo ela, algumas pessoas presentes chegaram a formar uma barreira ao redor de Diego quando ele estava caído para impedir novas agressões.
É esse tipo de atitude que deve prevalecer.
As organizações estudantis precisam defender os estudantes contra grupos violentos organizados. Também devem combater politicamente ideias fascistas onde elas aparecerem.
Espancar uma pessoa isolada, porém, não desarticula nenhum grupo fascista, não organiza os estudantes e não educa ninguém politicamente.
É violência gratuita apresentada como luta política.




