O Teleférico do Complexo do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro, completa dez anos sem funcionar. Inaugurado em 2011 para ligar a comunidade à estação de trens de Bonsucesso, o sistema está parado desde outubro de 2016.
Com 152 gôndolas, seis estações e 3,5 quilômetros de extensão, o teleférico havia sido projetado para transportar mais de 10 mil passageiros diariamente. Sua importância era maior para os moradores das áreas altas do complexo, que passaram a depender de mototáxis, kombis ou longos percursos a pé depois da interrupção.
A promessa mais recente indicava que o serviço voltaria a funcionar em outubro deste ano. Agora, a previsão de conclusão das obras passou para junho de 2027.
Um dos motivos apontados para o novo atraso é a falta de pagamentos à empresa responsável pela instalação dos cabos. Segundo a companhia, a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Obras Públicas deixou de repassar cerca de R$20 milhões desde fevereiro.
A empresa afirma que chegou a manter parte dos trabalhos com recursos próprios, mas estima que a situação tenha provocado atraso de aproximadamente oito meses.
As obras incluem recuperação de 24 torres, substituição de roldanas, instalação de novos equipamentos e colocação dos cabos de aço. Sete mil metros de cabos foram adquiridos por mais de R$105 milhões, mas a garantia do material está próxima do vencimento antes mesmo da instalação.
O contrato para a recuperação do sistema está na casa dos R$125 milhões e passa por auditoria do governo estadual. O Estado afirma que procura regularizar os pagamentos e mantém os trabalhos nas seis estações.
Enquanto o dinheiro circula entre contratos, auditorias e empresas, os moradores continuam sem o transporte.
Antônio Gonçalves, de 80 anos, relatou que utilizava frequentemente o teleférico e hoje enfrenta dificuldades porque não consegue andar de motocicleta. Maria da Guia Pereira de Souza contou que passou a subir o morro a pé depois da paralisação. Ela também perdeu parte de sua renda, pois vendia refeições para trabalhadores ligados ao sistema.
O teleférico não deixou de ser necessário. O que desapareceu foi o serviço.
Durante dez anos, a população continuou fazendo os mesmos deslocamentos, só que de maneira mais difícil e mais cara.
As estações e torres abandonadas mostram uma situação comum aos bairros operários e às favelas do Rio: obras públicas são anunciadas com grande propaganda, mas sua manutenção e funcionamento permanente ficam em segundo plano.
A cada novo prazo, os moradores recebem outra promessa. Até agora, receberam dez anos sem teleférico.





