Eleições 2026

‘Nós defendemos o calote da dívida’, diz candidato do PCO ao governo do RJ

Candidato ao governo defendeu estatização dos serviços públicos, moradia para os trabalhadores, fim da PM, direito de greve e suspensão do pagamento da dívida pública

O candidato do Partido da Causa Operária (PCO) ao governo do Rio de Janeiro, Luan Monteiro, apresentou nesta quarta-feira (2) as principais propostas do Partido para o estado durante sabatina realizada pela BandNews FM Rio. Ao longo da entrevista, falou de emprego, moradia, educação, segurança pública, transportes, saúde, privatizações e organização dos trabalhadores.

Antes de responder às perguntas sobre o Rio de Janeiro, Luan denunciou a perseguição política contra o PCO e contra Rui Costa Pimenta, candidato do Partido à Presidência da República. Citou a operação da Polícia Federal na residência de Rui e relacionou o episódio ao crescimento do poder do Judiciário sobre a vida política nacional.

O candidato também mencionou as revelações recentes envolvendo Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, do Banco Master, para contestar a apresentação dos ministros do Supremo Tribunal Federal como defensores da democracia.

Segundo Luan, os problemas do Rio de Janeiro não podem ser separados da política econômica aplicada no País. O candidato destacou particularmente as consequências de décadas de política neoliberal, com fechamento de postos de trabalho, retirada de direitos e crescimento do trabalho informal.

“Os problemas são de cunho principalmente econômico”, afirmou.

Luan lembrou as reformas trabalhista e previdenciária aprovadas depois do golpe de 2016 e disse que o desenvolvimento do Rio depende de enfrentar os interesses do capital financeiro. Para o candidato, não existe falta de recursos, mas uma transferência gigantesca da riqueza nacional para bancos e especuladores por meio da dívida pública.

Ao falar de sua trajetória, Luan afirmou que milita no PCO há cerca de sete anos e que começou sua atividade no período da campanha contra a prisão de Lula. Participou da organização de caravanas para Curitiba e das mobilizações em defesa dos direitos políticos do então ex-presidente.

Também destacou sua participação nas manifestações em defesa do povo palestino, nas lutas por moradia no centro do Rio, contra despejos, na greve dos garis e na greve dos trabalhadores da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em Volta Redonda.

Luan integra a direção nacional do PCO e coordena a Aliança da Juventude Revolucionária (AJR), organização de juventude ligada ao Partido.

Um dos principais temas levantados durante a entrevista foi a moradia.

O candidato criticou a especulação imobiliária no Rio de Janeiro, onde existe ao mesmo tempo uma enorme quantidade de pessoas sem casa e uma grande quantidade de imóveis vazios.

Luan citou as novas construções na região portuária e afirmou que o desenvolvimento imobiliário realizado na cidade não está voltado para atender quem precisa de moradia. Defendeu a utilização dos imóveis sem uso para alojar a população e a intervenção do Estado para garantir esse direito.

A defesa das ocupações também apareceu na entrevista. Para Luan, as conquistas não dependem apenas de medidas administrativas de um eventual governo, mas principalmente da capacidade de mobilização dos próprios trabalhadores.

O candidato lembrou sua participação em ações para impedir despejos, nas quais militantes e moradores se reuniam para defender as ocupações diante da repressão policial.

A mesma posição apareceu quando os entrevistadores perguntaram sobre a educação.

Luan manifestou apoio à paralisação dos professores que ocorria naquele dia no Rio de Janeiro e defendeu melhores salários, redução da jornada de trabalho e pleno direito de greve.

Criticou ainda os anos de contenção salarial dos servidores e a falta de concursos públicos. Formado em História, contou que ele próprio tentou durante anos conseguir trabalho na área sem encontrar vagas, apesar da falta de professores nas escolas.

Para o candidato, a crise do ensino público não é consequência da inexistência de profissionais ou de recursos, mas da política de redução dos gastos sociais.

Luan defendeu a estatização do sistema de ensino e o estabelecimento de uma educação integralmente pública e gratuita. Rejeitou a utilização da educação como fonte de lucro para empresas privadas.

O candidato apontou Cuba como exemplo de um país que, apesar do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos e de possuir recursos muito inferiores aos do Brasil, conseguiu garantir amplo acesso à educação e à saúde.

Questionado sobre como financiar a ampliação dos serviços públicos, Luan defendeu a suspensão do pagamento da dívida pública.

“Se for para dar na mão da iniciativa privada, na mão de banqueiro, para poder pagar juros de dívida, nós somos contrários. Nós defendemos o calote da dívida”, afirmou durante a entrevista.

Segundo o candidato, os recursos destinados aos bancos devem ser utilizados para ampliar escolas, hospitais, moradias, transportes e demais serviços necessários à população.

Outro momento importante da sabatina ocorreu na discussão sobre segurança pública.

Luan defendeu o fim da Polícia Militar e o direito dos trabalhadores de organizarem sua própria defesa. Para o candidato, o monopólio das armas pelas forças repressivas deixa a população pobre indefesa justamente diante de um aparelho que frequentemente entra nas favelas atirando.

O programa defendido pelo PCO prevê o direito ao porte de armas para a população e a organização da segurança pelos próprios moradores e trabalhadores.

Luan diferenciou essa posição daquela apresentada por setores da direita. Segundo ele, a política bolsonarista favorece na prática os setores que possuem dinheiro suficiente para adquirir armas, enquanto o PCO defende esse direito para toda a população trabalhadora.

O candidato também defendeu o fim da proibição das drogas. Explicou que o Partido é contrário politicamente ao consumo, inclusive entre seus militantes, mas considera que a repressão estatal ao usuário fortalece o tráfico e serve de justificativa para a violência policial.

Ao discutir como seria substituído o atual aparelho policial, Luan rejeitou a ideia de simplesmente extingui-lo por decreto e deixar um vazio.

A proposta apresentada foi mobilizar a população nos bairros, realizar assembleias e organizar conselhos que elejam os responsáveis pela segurança. Segundo Luan, um governo do PCO procuraria transferir poder de decisão aos próprios trabalhadores.

Esse princípio, afirmou, vale para as demais áreas do governo. Eleições, para o PCO, são um meio de apresentar o programa e organizar a população, e não uma solução independente da luta popular.

A situação dos trabalhadores de aplicativos também foi discutida.

Luan chamou atenção para as jornadas que chegam a 12 horas e para a pequena parcela do valor das corridas que permanece com motoristas e entregadores, enquanto as empresas acumulam lucros gigantescos.

Defendeu a organização independente desses trabalhadores para exigir melhores repasses e direitos trabalhistas. Também sustentou formas de contratação que garantam proteção previdenciária e demais direitos hoje negados a milhões de trabalhadores submetidos ao trabalho informal.

O programa do PCO propõe uma jornada máxima de 35 horas semanais, divididas em sete horas por dia durante cinco dias, sem redução salarial.

Nos transportes, Luan defendeu a estatização dos serviços e criticou as concessões a empresas privadas.

O candidato citou a experiência do transporte gratuito em Maricá para mostrar que é possível manter um sistema sem cobrança direta de passagem da população. Para ele, trens, barcas, ônibus e demais meios de transporte devem funcionar como serviços públicos.

A privatização da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) também foi criticada. Luan classificou a operação como criminosa e defendeu a retomada do controle estatal sobre o saneamento.

No plano nacional, citou Petrobras, Eletrobras e telecomunicações entre os setores estratégicos que deveriam retornar integralmente ao controle público.

Ao falar da Petrobras, denunciou a transferência dos lucros provenientes do petróleo brasileiro para acionistas privados, inclusive estrangeiros. Defendeu ainda a exploração dos recursos naturais brasileiros em benefício do desenvolvimento nacional, mencionando a Margem Equatorial.

No sistema penitenciário, Luan criticou o grande número de pessoas mantidas presas sem condenação definitiva e defendeu uma política de redução da população carcerária, além da garantia efetiva do direito de defesa.

Para ele, a política baseada no encarceramento em massa não resolve a violência. O combate ao crime deve partir principalmente da garantia de emprego, salário, moradia, educação e condições dignas de vida.

A prisão, afirmou, deve ser reservada aos casos em que exista efetivamente necessidade de afastar da sociedade pessoas responsáveis por crimes graves, e não funcionar como instrumento permanente de repressão da população pobre.

Na saúde, o candidato defendeu o fim da exploração privada dos serviços essenciais, a estatização do sistema e o encerramento da política de entrega dos hospitais e unidades a organizações sociais.

Usuário do Sistema Único de Saúde (SUS), Luan elogiou a capacidade técnica da rede pública e afirmou que seus principais problemas decorrem da falta de recursos.

Citou hospitais federais capazes de realizar procedimentos de alta complexidade e defendeu a abertura de mais hospitais e clínicas públicas, contratação de profissionais e aumento dos investimentos.

A entrevista apresentou, assim, um programa que se diferencia dos candidatos tradicionais não pela promessa de administrar de maneira mais eficiente o aparelho já existente, mas pela defesa de uma mudança profunda na destinação dos recursos do estado.

Suspender o pagamento aos banqueiros, reverter privatizações, ampliar os serviços públicos, garantir moradia, reduzir a jornada, defender greves e dar aos trabalhadores poder para organizar a própria segurança foram algumas das propostas defendidas por Luan Monteiro durante a sabatina.

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