Lino Alves, candidato do Partido da Causa Operária (PCO) ao Senado pelo Ceará, defendeu a extinção da própria Casa para a qual concorre. Em entrevista publicada pelo jornal O Povo no último dia 28, o engenheiro apresentou algumas das principais propostas de sua campanha.
Aos 70 anos, Lino é natural de Exu, em Pernambuco, e milita politicamente desde 1980. Integra a chapa encabeçada por Ieri Braga, candidato do PCO ao governo cearense. Já concorreu a vice-governador do Ceará em 2018, vereador de Juazeiro do Norte em 2020, deputado federal em 2022 e prefeito do município em 2024.
Questionado sobre a proposta de acabar com o Senado, Lino afirmou que a instituição serve aos grandes capitalistas e latifundiários e funciona como uma barreira adicional contra medidas de interesse dos trabalhadores.
“A primeira coisa, acabar com o Senado, pois este só serve a grande burguesia, aos grandes empresários e aos grandes latifundiários, jamais aos trabalhadores. Quando um projeto bom é aprovado na Câmara, este vai ao Senado e volta todo modificado, fazendo com que aquela lei não sirva nunca ao trabalhador. Agora se for para o agro, aí tá tudo certo”.
Na entrevista, o candidato também defendeu salário mínimo de R$7.500,00 e redução da jornada para 35 horas semanais. Para a aposentadoria, propôs 25 anos de trabalho para as mulheres e 30 para os homens.
Outro ponto abordado foi o fim da polícia. Lino afirmou que a Polícia Militar cumpre fundamentalmente uma função repressiva contra a população e citou casos ocorridos no próprio Ceará.
“A PM serve unicamente para bater em trabalhadores e defender a burguesia, principalmente quando tem greves”.
Entre os episódios mencionados pelo candidato estão a chacina do Curió e outras mortes provocadas por policiais no Estado. Lino citou ainda o caso de um homem morto enquanto dormia em um prédio em Choró, outro baleado quando procurava seu cavalo e o episódio do assalto a banco em Milagres.
“São tantos que perdemos as contas”, declarou.
No lugar das atuais forças policiais, Lino defendeu a criação de comitês de autodefesa organizados pela população.
O candidato também criticou o encarceramento da população pobre. Para ele, a prisão é aplicada de maneira profundamente desigual, enquanto pessoas com dinheiro e influência recebem outro tratamento.
“A grande maioria dos presos estão lá por crimes comuns e não por morte. Crimes que são tipificados como perigosos, quando na verdade não são. Outra coisa, só quem vai preso é pobre, o cara bem de vida não vai preso nem quando mata alguém. Quem pede cadeia para qualquer coisa não sabe o que é uma cadeia. O trabalhador precisa de educação, saúde, salário justo, e muito emprego mesmo”.
A crítica foi estendida ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Para o candidato, as eleições não deveriam ficar sob o controle de uma casta judicial, mas de um organismo formado pela população organizada.
“Em vez de existir o TSE, que seja igual à Venezuela, que tenha uma organização composta por trabalhadores, para que não tenha a gerência de um juiz, mas da comunidade organizada”.
Lino falou ainda sobre a proibição de despejos contra trabalhadores que vivem de aluguel e o fim da perseguição às torcidas organizadas de futebol.
A própria defesa da extinção do Senado chama atenção por partir de um candidato à instituição. Lino não apresenta sua candidatura como uma defesa do funcionamento atual do Congresso, mas como um meio de levar à campanha eleitoral reivindicações que entram em choque com as instituições políticas existentes.





