TV Santa Cecília

Izadora Dias e Ednelson Cesaretti apresentam programa operário para São Paulo

Candidatos do PCO ao governo e ao Senado defenderam estatizações, fim do STF e do Senado e a mobilização dos trabalhadores

Izadora Dias, candidata do Partido da Causa Operária (PCO) ao governo de São Paulo, e Ednelson Cesaretti, candidato ao Senado, apresentaram propostas do partido durante entrevistas ao programa Rumos e Desafios da TV Santa Cecília, de Santos (SP). Os dois ressaltaram que suas candidaturas não são projetos pessoais, mas instrumentos para levar aos trabalhadores o programa político do PCO.

Logo no início da entrevista, Izadora destacou a importância de todos os partidos terem espaço durante a eleição. Para ela, mais do que um direito das legendas, trata-se do direito da população de conhecer todas as candidaturas e decidir por conta própria quais propostas apoia.

Ao explicar o sentido de sua campanha, Izadora rejeitou a ideia de apresentar promessas de que um governador resolverá sozinho os problemas do Estado.

“Não vamos prometer que nós vamos governar para a população. A nossa ideia é que a população governe”, afirmou.

A candidata colocou entre as principais questões a serem decididas pelos trabalhadores as privatizações, a dívida pública, o desenvolvimento industrial e o controle da economia. O programa do PCO, explicou, só poderia ser aplicado com a participação ativa da população, uma vez que medidas como a estatização de grandes empresas enfrentariam a resistência direta dos capitalistas.

A Sabesp foi um dos exemplos citados. Izadora defendeu a reversão da privatização e a retirada dos acionistas privados da administração da companhia. Por se tratar de um serviço essencial, a água não poderia ser transformada em mercadoria destinada a produzir dividendos. Os recursos da empresa deveriam servir para reduzir as tarifas, ampliar a rede de água e esgoto e melhorar sua manutenção.

A candidata fez crítica semelhante às concessionárias de energia elétrica. Segundo ela, a redução do número de trabalhadores compromete tanto a manutenção preventiva quanto a capacidade de responder aos apagões. O problema, portanto, não poderia ser atribuído simplesmente às tempestades, mas à política de reduzir custos para aumentar o lucro dos proprietários.

Questionada sobre a Baixada Santista, Izadora colocou a moradia entre os problemas mais urgentes. As condições das favelas, afirmou, estão relacionadas à violência, às dificuldades educacionais e à própria situação econômica das famílias.

Também defendeu grandes investimentos ferroviários ligados ao Porto de Santos. Uma ligação do porto com outras regiões do continente, avaliou, criaria empregos, exigiria a expansão da estrutura portuária e permitiria transportar mercadorias por um custo menor dentro do próprio Brasil.

Na saúde, a proposta apresentada foi a estatização dos hospitais privados e a construção de novas unidades. Izadora apontou a contradição entre hospitais públicos lotados e estruturas privadas que não são utilizadas em sua capacidade total.

A candidata também rejeitou uma defesa acrítica do SUS. O caráter universal do sistema é uma conquista importante, disse, mas isso não deve servir para esconder a falta de recursos e o sucateamento. Para melhorar o atendimento seria necessário ampliar radicalmente os investimentos, contratar profissionais e aumentar a rede hospitalar.

Como coordenadora do Coletivo de Mulheres Rosa Luxemburgo, Izadora tratou ainda da defesa do aborto na rede pública. Ela afirmou que a reivindicação deve ser apresentada e debatida abertamente com a população, sobretudo porque a proibição não impede a realização do procedimento e empurra mulheres pobres para situações perigosas.

Ao mesmo tempo, defendeu a liberdade das igrejas para estabelecer suas posições entre seus próprios fiéis, mas rejeitou que concepções religiosas sejam impostas ao conjunto da população.

Para a educação, Izadora apresentou três medidas principais: acabar com o vestibular, estatizar a rede privada e entregar a administração das universidades a estudantes, professores e funcionários. O ensino superior deveria ser uma continuação da formação escolar, e não um sistema de seleção que impede a maior parte da juventude de prosseguir os estudos.

A candidata também falou sobre sua formação dentro do PCO. Militante desde 2018, quando participou da campanha pela liberdade de Lula, afirmou que o partido procura formar novos quadros por meio da atividade política permanente, dos congressos, conferências e discussões internas.

No segundo bloco do programa, Ednelson Cesaretti começou por uma das propostas mais particulares de sua própria candidatura: embora dispute uma vaga no Senado, é favorável ao fim da instituição.

Professor da rede pública e participante das lutas dos trabalhadores da educação há mais de 30 anos, Cesaretti afirmou que o sistema bicameral serve como uma barreira adicional às reivindicações populares. Para ele, uma segunda casa formada por apenas 81 integrantes facilita ainda mais a pressão dos grandes empresários sobre o Parlamento.

O candidato chamou a atenção para a presença permanente de representantes das organizações patronais no Congresso, incluindo entidades ligadas aos bancos, à indústria e ao latifúndio. Em lugar do Senado, propôs uma representação parlamentar muito mais ampla e proporcional às dimensões do País.

Cesaretti também defendeu o fim do STF e a eleição direta dos juízes. Criticou o poder adquirido por ministros que nunca receberam um voto popular e lembrou que o próprio PCO já foi alvo de decisões de censura tomadas pelo Judiciário.

A maior parte de sua entrevista foi dedicada à educação. O professor relacionou diretamente a falta de investimentos nas escolas com o pagamento da dívida pública.

Enquanto grandes quantias são destinadas aos bancos, afirmou, faltam recursos para salários, manutenção e infraestrutura. Cesaretti citou a situação das próprias escolas municipais em que trabalha, que enfrentam há anos dificuldades para realizar reformas básicas.

Para ele, qualquer plano sério de melhoria do ensino deve começar pelo salário dos professores. Os baixos vencimentos obrigam muitos profissionais a trabalhar em duas ou três escolas e até procurar atividades fora da educação para sustentar suas famílias.

O PCO também defende o ensino público e gratuito em todos os níveis e a estatização da rede privada.

Ao tratar dos trabalhadores de aplicativos, Cesaretti afirmou que motoristas e entregadores devem ter os mesmos direitos garantidos aos demais trabalhadores. As plataformas, segundo ele, transferem os custos e riscos da atividade para quem trabalha enquanto concentram os lucros.

O candidato criticou ainda as reformas da Previdência já aprovadas e alertou que novos ataques estão sendo preparados. Em vez de elevar continuamente a idade e o tempo de contribuição, defendeu condições para que o trabalhador possa se aposentar ainda com saúde.

Sobre a segurança pública, Cesaretti reafirmou a posição do partido pelo fim das polícias militares e sua substituição por organizações controladas pela própria população. Ressaltou, porém, que a violência não pode ser tratada separadamente da miséria, do desemprego e dos baixos salários.

As privatizações também apareceram na entrevista. O candidato defendeu a retomada pelo Estado das grandes empresas e dos recursos naturais do País. Petrobrás, empresas de energia, companhias de saneamento e riquezas minerais deveriam servir ao desenvolvimento nacional, e não ao lucro de grupos privados.

Cesaretti deixou claro que não espera que um Senado dominado por representantes dos capitalistas aprove espontaneamente esse programa. Para ele, a única maneira de impor medidas favoráveis aos trabalhadores é por meio de sua mobilização fora do Parlamento.

 

Gostou do artigo? Faça uma doação!

Rolar para cima

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.