A candidata do PSOL a deputada federal por São Paulo, Sônia Guajajara, está fazendo campanha junto com Simone Tebet, candidata ao Senado e conhecida representante dos latifundiários de Mato Grosso do Sul.
Sônia construiu sua carreira apresentando-se como porta-voz dos índios brasileiros. Foi dirigente da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, candidata a vice-presidente na chapa de Guilherme Boulos em 2018, ministra e fez de sua origem uma das principais marcas de sua atuação pública.
Agora aparece no material eleitoral ao lado de uma fazendeira ligada politicamente ao setor que há décadas comete atrocidades contra índios e sem-terra.
Simone Tebet pertence a uma tradicional família de proprietários rurais de Mato Grosso do Sul e possui terras no Estado. Uma propriedade herdada por ela e seus irmãos fica em Caarapó, região marcada pela luta dos guarani-caiuá pela recuperação de suas terras.
Em 2016, durante uma retomada na região, fazendeiros atacaram os índios. Clodiodi Aquileu Rodrigues de Souza, agente de saúde de 26 anos, foi morto a tiros e outros ficaram feridos.
Por sua vez, quando senadora, Tebet defendeu medidas contra as retomadas, cobrou maior rapidez nas reintegrações de posse e chegou a propor que novas ocupações prejudicassem o andamento dos processos de demarcação.
Diante de índios sem terra enfrentando grandes proprietários rurais, Tebet ficou do lado dos proprietários – de sua classe.
É para ela que Sônia Guajajara ajuda a pedir votos.
O caso dos guarani-caiuá torna a aliança particularmente escandalosa. Mato Grosso do Sul concentra uma das maiores populações indígenas do País e alguns dos conflitos fundiários mais violentos. Há famílias vivendo em acampamentos, pequenas áreas cercadas por fazendas e até às margens de estradas enquanto esperam pela recuperação de suas terras.
A luta é respondida há décadas com despejos, operações policiais, ataques armados e assassinatos.
Essa população pouco tem a ver com a imagem folclórica do índio difundida pelas grandes organizações não governamentais e pela imprensa burguesa. São trabalhadores pobres, submetidos à falta de terra, moradia, emprego e serviços públicos como milhões de outros brasileiros.
A situação mostra também que a questão indígena não pode ser separada do problema da propriedade da terra e da luta de classes.
Sônia Guajajara, porém, transformou a identidade indígena em credencial política para enganar os próprios índios, pois ela não passa de uma política da burguesia.
A campanha com Simone Tebet expõe essa contradição sem necessidade de grandes explicações.
O PSOL provavelmente justificará a aliança com os argumentos habituais: derrotar a direita, combater o bolsonarismo, defender a democracia e ampliar a frente eleitoral.
É sempre o mesmo caminho. Para combater a direita, alia-se à direita.
No caso de Sônia Guajajara, a contradição ganha contornos quase caricaturais. Utiliza os símbolos de sua origem indígena para fazer campanha enquanto ajuda a eleger uma política do latifúndio de Mato Grosso do Sul.
Sua agressividade aparece quando o alvo é outro.
Em 2022, Sônia publicou uma fotografia fazendo um gesto ofensivo diante da imagem de dom Pedro II durante as comemorações da Independência do Brasil. Para um símbolo da formação nacional, morto no século XIX, mostrou o dedo.
Com representantes do imperialismo atual, o tratamento foi muito mais cordial. Em 2021, ela foi uma das poucas lideranças a serem recebidas pelo então príncipe Charles do Reino Unido – hoje, rei Charles III. Sim, a índia caiu nas graças do chefe do Império Britânico.
Sônia também já procurou autoridades norte-americanas para discutir assuntos brasileiros. Foi o caso de seus encontros com John Kerry, um representante do imperialismo americano e do Partido Democrata, figura importante nos governos Obama e Biden. Guajajara pediu ajuda a ele para a suposta defesa do meio ambiente no Brasil. O que os EUA podem fazer pelo meio ambiente brasileiro? Roubá-lo – esse é seu único interesse, qualquer político de esquerda sabe disso. Guajajara praticamente ofereceu as terras brasileiras ao imperialismo americano.
Mas ela sempre foi paga para isso. Guajajara possui uma relação documentada de longa data com a Fundação Ford, que apoiou organizações e iniciativas das quais ela participou. A própria Fundação Ford publicou, em 2016, um texto apresentando Guajajara como liderança da APIB e defendendo seu trabalho em relação aos direitos territoriais indígenas.
Além disso, há documentação do Fundo Brasil de Direitos Humanos mostrando a Fundação Ford como apoiadora institucional e Guajajara entre as pessoas envolvidas em atividades de formação da organização.
A candidata mostra disposição para atacar a história e os símbolos nacionais, mas é uma doçura diante das principais potências imperialistas do mundo, que sempre foram ávidas por roubar a Floresta Amazônica.
O mesmo vale para os grandes proprietários rurais quando eles entram na coligação certa.
Os guarani-caiuá continuam lutando contra latifundiários para recuperar suas terras. Sônia Guajajara, enquanto isso, faz campanha para Simone Tebet, uma latifundiária.
O cocar fica para a propaganda. Na hora de escolher os aliados, a Pocahontas do PSOL fica com o latifúndio.
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