A candidata do Partido da Causa Operária (PCO) ao governo de São Paulo, Izadora Dias, participou no último domingo (30) do programa Dualidade de Ideias, no qual apresentou as propostas de sua candidatura e respondeu durante cerca de uma hora a perguntas dos apresentadores e do público.
Logo no início, Izadora contou como começou sua atividade política. Natural de Barra Bonita, no interior paulista, ela conheceu o PCO em 2018, durante a campanha pelo direito de Luiz Inácio Lula da Silva disputar as eleições presidenciais daquele ano.
Lula estava preso e havia sido impedido de concorrer. Enquanto o PT preparava Fernando Haddad para substituí-lo, o PCO defendia a manutenção da candidatura de Lula e alertava que Haddad não conseguiria derrotar Jair Bolsonaro.
Depois desse primeiro contato, Izadora passou a participar das atividades políticas e de formação do partido. Ela destacou que encontrou no PCO uma organização formada por trabalhadores e na qual os militantes participam das decisões políticas.
Questionada sobre as propostas consideradas “radicais” do partido, Izadora explicou que o PCO não apresenta seu programa como uma lista de medidas que poderiam ser realizadas simplesmente com a eleição de um governador.
“Eu não vou conseguir sozinha, porque você tem que lutar contra muitos interesses, interesses de pessoas poderosas”, afirmou ao tratar da estatização do transporte público.
Para a candidata, medidas desse tipo dependem da mobilização dos trabalhadores. O programa defendido nas eleições, portanto, não serve apenas para pedir votos, mas orienta a atividade política permanente do partido.
Izadora citou como exemplo o metrô paulista. Segundo ela, o Estado realiza os enormes investimentos necessários para construir as linhas e, depois, entrega sua exploração para empresas privadas, que ficam com a arrecadação das tarifas.
A candidata defendeu a estatização do transporte e afirmou que serviços essenciais não deveriam funcionar como fonte de lucro para grupos empresariais.
Na saúde, defendeu a ampliação dos hospitais públicos, a formação de mais profissionais e a estatização da rede privada.
“A saúde não pode ser um comércio”, disse.
Segundo Izadora, hospitais, medicamentos e tratamentos não podem depender da capacidade financeira de cada paciente. O atendimento deve ser garantido pelo Estado para toda a população.
Na educação, a candidata defendeu o fim do vestibular e a ampliação do acesso ao ensino superior. Para o PCO, quem conclui o ensino médio deveria ter condições de ingressar diretamente em uma universidade ou curso técnico.
Ela também apresentou a proposta de administração das escolas e universidades públicas por conselhos formados por estudantes, professores e funcionários, em lugar das direções escolhidas de cima para baixo pelos governos.
Perguntada sobre qual seria sua principal prioridade no governo paulista, Izadora respondeu que procuraria reestatizar os serviços privatizados.
A candidata citou água, energia e transporte e criticou particularmente a privatização da Sabesp realizada pelo governo de Tarcísio de Freitas.
Para Izadora, água e saneamento não podem ser tratados como mercadorias. Ela mencionou os problemas de abastecimento existentes na própria capital paulista e defendeu a expansão da rede para as regiões que ainda não contam com saneamento adequado.
A candidata também falou sobre a reivindicação do PCO de um salário mínimo de R$8.000,00. Segundo ela, o valor deve corresponder ao necessário para uma família trabalhadora pagar despesas como aluguel, alimentação e medicamentos.
Diante do argumento de que não existiriam recursos para medidas desse tipo, Izadora apontou a destinação de uma parcela gigantesca do orçamento para o pagamento da dívida pública.
“O problema do Brasil não é a falta de dinheiro”, afirmou.
As condições da campanha eleitoral também foram discutidas. Izadora denunciou a desigualdade na cobertura da grande imprensa e afirmou que a eleição paulista é apresentada praticamente como uma disputa exclusiva entre Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad.
Segundo ela, há eleitores que sequer sabem da existência dos demais candidatos porque estes quase não aparecem em entrevistas, debates e reportagens.
Izadora afirmou que todos os partidos deveriam ter condições de apresentar suas posições à população. Ressaltou que essa reivindicação não diz respeito apenas ao PCO, mas ao direito democrático de todos os candidatos.
A candidata tratou ainda da operação da Polícia Filial contra Rui Costa Pimenta, presidente nacional do PCO e candidato à Presidência.
Izadora criticou a busca realizada na residência de Rui e seu afastamento de funções administrativas do partido. Para ela, cabe aos filiados e militantes decidir quem exerce essas funções, e não à polícia ou ao Judiciário.
A candidata também chamou a atenção para a diferença entre o silêncio habitual da grande imprensa sobre o PCO e a repercussão dada às acusações contra o partido.
Ela lembrou que o PCO recebe o menor Fundo Eleitoral entre os partidos e afirmou que a operação procura transformar em suspeita a contratação de empresas de militantes e pessoas próximas para realizar serviços da própria campanha, o que é absolutamente legal.
Izadora também respondeu a perguntas sobre enchentes, apagões, saneamento e cultura.
Ao falar das enchentes em São Paulo, criticou a tentativa dos governantes de atribuir todos os problemas a fenômenos climáticos. Segundo ela, grande parte dos danos decorre da falta de investimento, manutenção e planejamento urbano.
A candidata utilizou argumento semelhante para comentar os apagões. Citou a redução de funcionários e a falta de manutenção da rede elétrica e das árvores como fatores que agravam os efeitos das tempestades.
Sobre cultura, Izadora defendeu que os trabalhadores tenham condições reais de participar da produção artística. Para ela, não basta destinar dinheiro ao setor: é necessário permitir que jovens interessados em música, cinema, teatro e outras áreas possam estudar e desenvolver seu trabalho.
No encerramento, a candidata convidou os espectadores a conhecer o programa do PCO e participar da campanha.
“Nós fazemos uma campanha militante, uma campanha que procura conversar com a população”, afirmou.
Izadora destacou que o partido procura aproveitar as eleições não apenas para conquistar votos, mas para apresentar suas propostas e organizar os trabalhadores em torno delas.





