Dois policiais militares foram presos nesta quinta-feira (27), no Rio de Janeiro, acusados de fornecer e intermediar a venda de armas e munições para a milícia de Curicica e integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP).
Jorge Anastácio Rodrigues Simões, lotado no 4º BPM, foi preso dentro do próprio batalhão. Leo Carlos Anjos dos Santos, do 2º BPM, foi encontrado em casa. Um homem apontado como traficante também foi preso durante a operação.
Ao todo, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (Gaeco/MPRJ) denunciou 20 pessoas. Quatro já estavam presas.
De acordo com a investigação, os dois PMs participavam de um mercado clandestino de armamentos que abastecia tanto milicianos quanto traficantes. Entre as armas mencionadas estão fuzis de calibres 5,56 mm, 7,62 mm e .223, além de pistolas e munições.
O esquema reuniria integrantes da milícia de Curicica e traficantes do TCP que atuam nos complexos da Maré e da Pedreira. Os grupos mantinham um pacto de não agressão e cooperação, principalmente na disputa contra o Comando Vermelho.
A colaboração não se limitava ao comércio de armas. Segundo o MPRJ, Wallace de Oliveira Loredo atuava no roubo de veículos e fornecia carros para milicianos e traficantes, contribuindo para a estrutura das duas organizações.
A milícia de Curicica teria como principal dirigente André Costa Bastos, conhecido como Boto ou Redbull, atualmente preso em penitenciária federal. A direção das operações seria exercida por Osmar Silva de Souza, o Messi ou Novinho.
A denúncia expõe mais uma vez uma realidade conhecida no Rio de Janeiro: membros da própria Polícia Militar aparecem envolvidos com os grupos que a corporação afirma combater.
Enquanto bairros pobres são submetidos a operações policiais cada vez mais violentas, dois integrantes da PM são acusados justamente de colocar armas e munições nas mãos de milicianos e traficantes.



