Na última rodada de negociação entre a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) e o Comando Nacional dos Bancários, que aconteceu nesta quarta-feira (26), em relação à Campanha Salarial, os banqueiros vêm se utilizando do seu tradicional golpe. No início das negociações, não apresentaram proposta alguma e até retiraram direitos para, logo em seguida, apresentar um índice para a categoria que não recompõe nem mesmo a inflação.
Depois de mais uma das enrolativas mesas de negociações com os banqueiros, que já são onze — e, nesta quinta-feira, será realizada a décima segunda —, os banqueiros apresentaram uma proposta de reajuste salarial de ridículos 2,57%, sendo que a inflação oficial do período é de 4,5% (todo mundo sabe que esse índice oficial não reflete a verdadeira inflação que consome o bolso dos trabalhadores), ou seja, um rebaixamento salarial “oficial” de cerca de 1,5%.
Num primeiro momento, apresentaram a proposta de 2,06% e, agora, apresentaram esse índice. Além disso, os banqueiros propuseram uma PLR (Participação nos Lucros e Resultados) diferenciada, beneficiando apenas 8% da categoria; o rebaixamento do vale-alimentação, com reajuste de 1,1%, por não recompor a inflação; e reajuste de 4,5% para o vale-refeição.
É mais claro que a neve que os banqueiros não têm a mínima disposição de atender às reivindicações da categoria bancária, tais como o aumento nos salários (que já estão rebaixados; o índice defendido e aprovado pela burocracia sindical, de 5% de “ganho real”, não chega nem perto das verdadeiras perdas salariais, que passam de 27%), estabilidade no emprego, piso salarial de R$ 8 mil etc.
Mais uma vez, os “coitadinhos” dos banqueiros se colocam como “vítimas do sistema” e justificam-se dizendo que estão sofrendo por conta da concorrência das fintechs. Mas a realidade é outra.
Segundo os próprios dados apresentados pelo Comando Nacional dos Bancários, o lucro líquido dos maiores bancos brasileiros, entre 2003 e 2025, cresceu 178% acima da inflação. No ano de 2025, os banqueiros lucraram a bagatela de R$ 182,4 bilhões e somente os cinco maiores bancos tiveram um lucro de R$ 124 bilhões. Isso sem falar que esses vampiros, que vivem de sugar o sangue de toda a população brasileira, consomem quase a metade do orçamento nacional: em 2025, chegou a R$ 2,135 trilhões (estamos falando apenas do pagamento de juros e amortizações da dívida), enquanto o orçamento federal executado foi de R$ 5,054 trilhões.
Pelo andar da carruagem em relação às negociações nas mesas com os banqueiros, é mais do que evidente que a categoria terá que responder à altura dos ataques reacionários desses abutres.
É necessário um amplo processo de mobilização e uma questão central para isso é a unificação da categoria, para que, em uníssono, possa defender um programa de luta, ou seja, um salário que corresponda às reais necessidades dos trabalhadores, a estabilidade no emprego, o combate ao arrocho salarial, o fim da terceirização e o atendimento da pauta de reivindicações da categoria.
Para isso, é preciso organizar, imediatamente, comandos de base, na tentativa de organizar uma greve unificada pelo atendimento das legítimas reivindicações dos bancários.





