A Alemanha pretende gastar quase 13 bilhões de dólares num novo programa de mísseis de longo alcance, aprofundando o rearmamento apresentado à população europeia sob o argumento da “ameaça russa”.
A maior parte do dinheiro, cerca de 11 bilhões de dólares, seria destinada ao desenvolvimento e aquisição dos novos sistemas. Outros 2 bilhões financiariam projetos de mísseis de cruzeiro.
Berlim trabalha em quatro frentes.
Uma delas procura desenvolver um míssil de cruzeiro de menor custo, com entrada em serviço pretendida já para 2027. Outra prevê a compra de Tomahawk norte-americanos até o fim da década.
Dois projetos adicionais serão desenvolvidos em cooperação com o Reino Unido: um novo míssil de cruzeiro de alta capacidade e uma arma hipersônica.
A guerra na Ucrânia forneceu ao governo alemão a justificativa política para uma mudança de enorme importância.
Depois de décadas em que as consequências da Segunda Guerra Mundial limitavam parcialmente seu militarismo, a maior potência industrial da União Europeia volta a investir pesadamente na construção de poder militar.
A Rússia funciona como ameaça permanente para convencer a população de que bilhões precisam ser desviados para armamentos.
Nem por isso os novos programas estão livres de dificuldades.
A indústria militar europeia sofre com problemas de capacidade produtiva e de fornecimento. As próprias Forças Armadas alemãs enfrentam falta de pessoal e pouca procura pelo serviço militar.
A experiência recente das guerras também demonstrou a rapidez com que os estoques de armas sofisticadas podem desaparecer.
Projetos europeus anteriores acabaram ainda prejudicados por disputas entre as próprias potências envolvidas. O sistema aéreo FCAS, conduzido por Alemanha, França e Espanha, praticamente parou em 2026 depois de anos de divergências industriais.
Mesmo com esses obstáculos, os recursos aparecem.
Quando se trata de salários, aposentadorias e serviços públicos, os governos europeus repetem que é necessário economizar.
Para mísseis, aparecem bilhões.
A chamada “ameaça russa” tornou-se uma excelente justificativa para que a Alemanha volte a se armar em grande escala.





