A política neoliberal de Javier Milei levou a Argentina ao ponto em que a população está cortando até o pão da mesa. Nos últimos dois anos, o consumo do alimento caiu 60%, cerca de 3 mil padarias fecharam as portas e aproximadamente 17 mil postos de trabalho desapareceram.
Os números foram divulgados por Martín Pinto, da Câmara de Industriais Padeiros da Província de Buenos Aires. Segundo ele, a crise econômica deixou os argentinos sem dinheiro no bolso e obrigou as famílias a comprar apenas aquilo que ainda conseguem pagar.
A queda é ainda maior no consumo das tradicionais facturas, produtos populares nas padarias argentinas: entre 80% e 85%.
Ao mesmo tempo em que as vendas despencaram, os custos das padarias explodiram. Em dois anos, segundo Pinto, o gás aumentou 800%, a eletricidade, 1.200%, e a água, 1.400%. Somados aos aluguéis e aos gastos com funcionários, esses aumentos tornaram impossível a sobrevivência de milhares de estabelecimentos.
A crise deu origem às chamadas “cuevas de pan”. Padeiros que já não conseguem manter uma loja formal passam a produzir em casa ou na garagem e vender diretamente à população, numa tentativa de escapar dos custos que os levaram à falência.
A situação revela o tamanho da devastação provocada pelo governo Milei. A renda da população foi esmagada, o consumo entrou em colapso, pequenas empresas desapareceram e milhares de trabalhadores perderam o emprego. Num dos maiores produtores de alimentos do continente, falta dinheiro para comprar comida.
É essa Argentina que o imperialismo apresenta como exemplo para a América Latina.
Milei foi colocado no poder para aplicar sem freios a política exigida pelos bancos e pelos grandes monopólios: corte dos gastos públicos, privatizações, ataques aos salários e aos direitos dos trabalhadores e abertura cada vez maior do país ao capital estrangeiro. O empobrecimento da população não é um desvio dessa política. É sua consequência inevitável.
Para os trabalhadores, significa desemprego e fome. Para os banqueiros, é o país dos sonhos.
O mesmo projeto está sendo preparado para o Brasil. A preferência do grande capital é por uma terceira via, uma candidatura diretamente ligada aos bancos, aos monopólios e aos interesses do imperialismo. Lula e Flávio Bolsonaro não são os candidatos preferenciais desse setor justamente porque possuem bases políticas próprias e não oferecem a mesma segurança de uma candidatura inteiramente subordinada aos interesses do grande capital.
Isso não impede que os dois sejam pressionados a fazer concessões.
No caso de Lula, elas já aparecem na discussão sobre um eventual novo mandato. Sua equipe econômica avalia endurecer o arcabouço fiscal, reduzindo de 2,5% para 1,5% o limite anual de crescimento das despesas e criando novos mecanismos para conter gastos obrigatórios. As medidas vêm sendo discutidas justamente em meio a conversas com representantes do sistema financeiro.
https://causaoperaria.org.br/2026/lula-vira-as-costas-aos-sem-terra-e-abraca-o-latifundio/
O programa eleitoral de Lula também deverá reafirmar o compromisso com o arcabouço fiscal e com a chamada austeridade, bem como com o latifúndio. Durante o atual governo, a valorização do salário mínimo já foi submetida aos limites dessa política, isto é, os salários e os gastos sociais são contidos para atender às exigências dos banqueiros.
Flávio Bolsonaro também sofre a pressão do grande capital para se enquadrar. Embora não seja a candidatura preferida dos bancos, sua campanha é submetida às mesmas exigências de privatização, ajuste fiscal e entrega da economia aos grandes capitalistas.
A Argentina mostra onde essa política termina. Por trás das expressões “responsabilidade fiscal”, “ajuste” e “liberdade econômica”, aparecem milhares de empresas fechadas, desemprego, salários destruídos e famílias que já não conseguem comprar pão.
É isso que o imperialismo quer impor também ao Brasil.




