O governo Lula anunciou uma nova previsão para o salário mínimo de 2027: R$1.741,00. A estimativa apresentada em abril era de R$1.717,00. Os R$24,00, portanto, não são um novo aumento concedido ao trabalhador, mas apenas a diferença entre duas projeções para o valor que entrará em vigor no próximo ano.
Caso a previsão seja confirmada, o salário mínimo passará dos atuais R$1.621,00 para R$1.741,00 em 1.º de janeiro. A elevação nominal seria de R$120,00, equivalente a 7,4%. O número ainda poderá mudar porque depende da inflação acumulada até novembro.
A nova projeção subiu justamente porque o governo espera uma inflação maior. A Secretaria de Política Econômica estima agora 4,93% para o período de 12 meses encerrado em novembro. Ou seja, boa parte do aumento nominal não representa ganho para o trabalhador: destina-se simplesmente a repor aquilo que os preços já terão retirado de seu salário.
Há um agravante. Desde o fim de 2024, o governo limitou o ganho real do salário mínimo às regras do arcabouço fiscal. O aumento acima da inflação ficou preso à faixa de crescimento das despesas públicas, entre 0,6% e 2,5%.
A razão é conhecida. Cada pequeno aumento do piso repercute sobre aposentadorias e outros benefícios e, por isso, é imediatamente tratado pelos defensores do ajuste fiscal como um problema para o orçamento. O dinheiro destinado ao trabalhador é submetido a todo tipo de limite.
O mesmo rigor não aparece quando se trata da transferência gigantesca de recursos públicos aos banqueiros por meio dos juros da dívida. Para o trabalhador, discute-se R$24,00. Para o capital financeiro, não há salário mínimo, teto de gastos nem moderação.





