Rio de Janeiro

Polícia Civil deixa menino de 6 anos cego de um olho em ataque à Favela do Metrô

Criança foi atingida no rosto durante invasão policial na Mangueira; moradores protestaram contra mais uma agressão do aparelho repressivo

Um menino de apenas seis anos perdeu a visão de um dos olhos após ser atingido por um tiro durante um ataque da Polícia Civil à Favela do Metrô, na região da Mangueira, Zona Norte do Rio de Janeiro.

A criança foi atingida nesta quarta-feira (12), enquanto agentes da Delegacia de Roubos e Furtos invadiam a comunidade. O disparo atingiu a região do olho e provocou ferimentos tão graves que o menino perdeu a visão.

A ação policial tinha como um dos alvos um ferro-velho acusado de receber cabos e outros materiais furtados. Cinco pessoas foram presas.

Para justificar o que aconteceu, a Polícia Civil afirmou que seus agentes teriam sido atacados a tiros e que não teriam revidado. Essa é a versão apresentada pela própria corporação envolvida no ataque e não explica o fato principal: uma criança de seis anos foi atingida por um disparo durante uma invasão policial e saiu dali mutilada.

A tentativa de transformar o caso numa dúvida abstrata sobre “de onde veio o tiro” serve para retirar o Estado do centro do acontecimento. Não havia uma criança participando de qualquer confronto. Havia um menino vivendo em um bairro popular no momento em que policiais armados entraram na região.

Antes da entrada da polícia, ele enxergava com os dois olhos. Depois do ataque, perdeu a visão de um deles.

Os moradores reagiram com revolta. Protestos ocorreram nas proximidades da Uerj e do Maracanã depois que se espalhou a notícia de que a criança havia sido atingida. Ruas foram bloqueadas e moradores denunciaram a violência policial sofrida pela população da região.

Casos como esse não são acidentes inexplicáveis. São resultado direto de uma política que transforma as favelas do Rio de Janeiro em território para incursões armadas do Estado.

As forças policiais entram nos bairros populares com fuzis, viaturas e agentes preparados para uma situação de guerra. Quem vive nesses locais é obrigado a conviver com tiros, interrupção de aulas, fechamento de postos de saúde e o risco permanente de ser atingido dentro do próprio bairro.

Quando uma criança é baleada, as corporações rapidamente apresentam versões para afastar de si qualquer responsabilidade. O aparelho repressivo conduz a própria ação, participa do acontecimento e depois pretende ser aceito como autoridade suficiente para explicar por que ninguém deve ser responsabilizado.

A chamada política de segurança pública do governo fluminense é uma guerra contra a população pobre. Em nome do combate ao crime, o Estado lança forças armadas até os dentes dentro de áreas densamente povoadas e aceita como normal que trabalhadores e crianças paguem o preço.

A vítima desta vez tem seis anos.

O menino não perdeu a visão por uma fatalidade, nem porque estava no “lugar errado”. Foi atingido durante uma invasão da Polícia Civil ao bairro onde vive. A responsabilidade política pelo que aconteceu é do Estado que decidiu enviar homens armados para dentro da Favela do Metrô.

No dia seguinte, o mesmo governo colocou dezenas de batalhões e unidades especiais nas ruas para realizar novas incursões em bairros populares do Rio de Janeiro.

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