O Rio de Janeiro amanheceu nesta quinta-feira (13) com operações policiais em pelo menos 27 regiões do estado. A Polícia Militar mobilizou 27 batalhões, os oito Comandos de Policiamento de Área e unidades especiais, entre elas o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope).
Segundo a própria PM, a ofensiva tinha como um de seus principais objetivos conter a expansão territorial do Comando Vermelho (CV). As ações incluíram cumprimento de mandados, retirada de barricadas, apreensão de armas e operações em locais onde há disputas entre facções.
O dado é politicamente importante. Quando o Estado mobiliza sua força policial para impedir que uma facção avance sobre uma área já controlada por outra força, sua intervenção acaba preservando, naquele momento, a divisão territorial existente.
Isso não significa afirmar que a Polícia Militar tenha uma aliança formal com o TCP, com a ADA ou com milicianos. Significa que uma operação destinada expressamente a impedir o avanço do CV interfere diretamente na disputa pelo controle de territórios.
No Quitungo, por exemplo, a própria cobertura da operação identifica a região como área do CV disputada pelo Terceiro Comando Puro (TCP).
A Vila Vintém também apareceu entre as regiões atingidas pelas operações. Nesse caso, há informação recente e precisa sobre a situação local: em junho deste ano, a Polícia Civil realizou uma operação contra o braço financeiro da Amigos dos Amigos (ADA), apontando expressamente a atuação da facção na Vila Vintém.
Já o Batan, também incluído na operação desta quinta-feira, possui uma história mais complexa. A comunidade esteve sob domínio de milicianos e, em períodos posteriores, tornou-se objeto de disputas entre ADA e TCP.
O problema principal, entretanto, permanece: o governo transforma os bairros populares em campo de intervenção militar na disputa territorial existente no Rio de Janeiro.
Enquanto batalhões, Bope e outras unidades entram nas comunidades, são os trabalhadores que sofrem as consequências. Escolas têm o funcionamento afetado, unidades de saúde suspendem atividades e moradores precisam alterar suas rotinas por causa de operações realizadas com armamento pesado.
A política de segurança do governo parte da ideia de que o crime pode ser combatido com mais polícia, mais prisões, mais fuzis e sucessivas invasões das favelas. Décadas dessa política produziram o resultado oposto: o tráfico continua funcionando, as milícias se expandiram e a população pobre segue submetida à violência policial.
Uma das bases econômicas do tráfico é justamente a proibição das drogas. Ao transformar a venda de substâncias procuradas por milhões de consumidores em comércio clandestino, o Estado cria um negócio altamente lucrativo entregue à ilegalidade. A chamada guerra às drogas não eliminou o consumo nem a venda. Transformou ambos em justificativa permanente para operações policiais nos bairros populares.
Ao mesmo tempo, desemprego, baixos salários, falta de moradia, escolas sem recursos e ausência de perspectivas para uma parcela enorme da juventude fornecem as condições sociais nas quais o crime encontra espaço para crescer.
A solução, portanto, não é enviar mais caveirões e policiais para as favelas nem escolher qual facção deverá perder ou conservar determinado território. É acabar com a política de proibição das drogas e garantir emprego, salário, moradia, educação, saúde e condições dignas de vida à população trabalhadora.
Nesta quinta-feira, porém, o governo escolheu novamente o caminho oposto: mobilizou 27 batalhões e unidades especiais para intervir militarmente em dezenas de bairros.





